{"id":18575,"date":"2021-11-25T15:47:51","date_gmt":"2021-11-25T18:47:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/?post_type=emagazine&#038;p=18575"},"modified":"2022-10-03T12:16:41","modified_gmt":"2022-10-03T15:16:41","slug":"corporate-support-democracy","status":"publish","type":"emagazine","link":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/secure-futures-magazine\/corporate-support-democracy\/18575\/","title":{"rendered":"O que as empresas podem fazer pela democracia"},"content":{"rendered":"<p>Os defensores da democracia ao redor do mundo est\u00e3o enfrentando uma dif\u00edcil batalha pela liberdade, pelos direitos humanos e pela democracia. O relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"https:\/\/freedomhouse.org\/report\/freedom-world\/2021\/democracy-under-siege\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>Freedom<\/i><i>\u00a0in\u00a0<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0World 2021<\/i><\/a>, feito pela ONG\u00a0Freedom\u00a0House, mostra que o autoritarismo cresceu no mundo em 2020. Em muitos pa\u00edses, l\u00edderes usaram a pandemia como desculpa para reprimir protestos e manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias aos seus governos.<\/p>\n<p>Uma grande mostra desse movimento aconteceu logo no come\u00e7o deste ano, no dia 6 de janeiro, quando milhares de pessoas invadiram o Capit\u00f3lio, em Washington, nos Estados Unidos, com o objetivo de impedir que Joe Biden tomasse posse como o 46o presidente da hist\u00f3ria dos EUA. No tumulto, cinco pessoas morreram.<\/p>\n<p>O que aconteceu logo em seguida foi algo surpreendente, historicamente falando. Muitas empresas e CEOs estadunidenses condenaram o ataque publicamente.\u00a0<i>\u201c<\/i><a href=\"https:\/\/www.businessroundtable.org\/business-roundtable-statement-on-events-in-the-nations-capital\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>O caos que aconteceu na capital \u00e9 o resultado de uma s\u00e9rie de esfor\u00e7os ilegais para tentar reverter os resultados leg\u00edtimos de uma elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/i><\/a><i>\u201c<\/i>, afirmou\u00a0na\u00a0\u00e9poca a Business\u00a0Roundtable, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane as maiores empresas dos EUA. \u201c<i>Nosso pa\u00eds merece mais. Chamamos o atual presidente e todos os mais relevantes oficiais do Governo a dar um fim\u00a0<\/i><i>n<\/i><i>esse caos e facilitar a transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica do poder\u201d.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es como essa s\u00e3o parte de um novo movimento dos l\u00edderes do mercado atuando para preservar e fortalecer a democracia. Depois de d\u00e9cadas em que a filosofia das empresas era simplesmente\u00a0<i>\u201c<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0business\u00a0<\/i><i>of<\/i><i>\u00a0business\u00a0<\/i><i>is<\/i><i>\u00a0business\u201d<\/i>\u00a0ou em portugu\u00eas\u00a0<i>\u201co neg\u00f3cio dos neg\u00f3cios \u00e9 o neg\u00f3cio\u201d,<\/i>\u00a0como dizia o renomado economista Milton Friedman, ser\u00e1 que finalmente estamos vendo as coisas mudarem? E ser\u00e1 que elas deveriam mesmo mudar?<\/p>\n<p><b>A confian\u00e7a nos neg\u00f3cios \u00e9 alta<\/b><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio\u00a0<i>Trust\u00a0<\/i><i>Barometer<\/i><i>\u00a02021 da Edelman<\/i>,\u00a0revelou que as empresas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.edelman.com\/trust\/2021-trust-barometer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">s\u00e3o atualmente a institui\u00e7\u00e3o que tem mais confian\u00e7a do p\u00fablico nos EUA<\/a>, alcan\u00e7ando 61% de confian\u00e7a dos entrevistados, contra 53% do Governo e 51% da m\u00eddia.<\/p>\n\t\t\t<div class=\"c-promo-product\">\n\t\t\t\t\t\t<article class=\"c-card c-card--link c-card--medium@sm c-card--aside-hor@lg\">\n\t\t\t\t<div class=\"c-card__body  \">\n\t\t\t\t\t<header class=\"c-card__header\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"c-card__headline\">Iniciativa Global de Transpar\u00eancia da Kaspersky<\/p>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"c-card__title \"><span>Tornando os neg\u00f3cios cada vez mais transparentes<\/span><\/h3>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/header>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"c-card__desc \">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>Um olhar aprofundado sobre como usar a transpar\u00eancia para ganhar a confian\u00e7a do consumidor e engajar a comunidade global de ciberseguran\u00e7a.<\/p>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"c-card__aside\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"\" class=\"c-button c-card__link\">Saiba mais<\/a>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/article>\n\t\t<\/div>\n\t\n<p>O relat\u00f3rio da Edelman tamb\u00e9m revela que 86% dos entrevistados esperam que os CEOs das grandes empresas se manifestem sobre temas sociais e pol\u00edticos, enquanto 68% afirmam que esses profissionais deveriam interceder quando o governo n\u00e3o atua para solucionar os problemas da sociedade.<\/p>\n<p>Mas como isso\u00a0aconteceria\u00a0na pr\u00e1tica? Em 2017,\u00a0a marca Patagonia, especializada em roupas e acess\u00f3rios para esportes de aventura, se posicionou contra os esfor\u00e7os do governo federal dos EUA\u00a0de\u00a0legalizar\u00a0a perfura\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de oleodutos e gasodutos em terrenos p\u00fablicos, o que reduziria a \u00e1rea de diversos parques nacionais. Sua\u00a0<a href=\"https:\/\/www.patagonia.com\/actionworks\/campaigns\/public-lands-waters-threat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">campanha a favor dos\u00a0parques<\/a>\u00a0incluiu um document\u00e1rio e uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o assunto, al\u00e9m do\u00a0contato com diversos pol\u00edticos para abordar o tema.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.leadershipnowproject.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Leadership\u00a0Now\u00a0Project<\/a>\u00a0\u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o fundada por um grupo de ex-alunos da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Harvard para diminuir a dist\u00e2ncia entre neg\u00f3cios e pol\u00edtica, com o objetivo de fortalecer a democracia estadunidense. Sua\u00a0<b>cofundadora e CEO, Daniella\u00a0<\/b><b>Ballou-Aares<\/b>, afirma que os problemas pol\u00edticos e sociais s\u00e3o importantes demais para serem\u00a0ignorados pelas empresas, especialmente em um momento no qual a confian\u00e7a nessas companhias est\u00e1 em alta.<\/p>\n<p><i>\u201cAs pessoas est\u00e3o esperando que os CEOs se manifestem perante os problemas da sociedade. Mas isso vai al\u00e9m de uma expectativa: j\u00e1 \u00e9 uma responsabilidade. At\u00e9 porque os pr\u00f3prios CEOs reconhecem que n\u00e3o tem como os neg\u00f3cios funcionarem sem uma democracia saud\u00e1vel\u201d<\/i>, diz\u00a0<b>Ballou-Aares<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p>Mas o\u00a0Leadership\u00a0Now\u00a0\u00e9 apenas um de v\u00e1rios grupos que est\u00e3o surgindo para guiar os l\u00edderes e empres\u00e1rios que queiram se envolver com esses temas. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.civicalliance.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Civic Alliance<\/a>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bfa.us\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Business for\u00a0America<\/a>, por exemplo, s\u00e3o grupos que ajudam empresas a advogar pelo direito a voto,\u00a0assegurar que as pol\u00edticas internas dessas empresas deem aos seus colaboradores tempo para votar e que estejam alinhadas com o bem-estar social.<\/p>\n<p><b>Ballou-Aares<\/b>\u00a0afirma tamb\u00e9m que a pandemia em si aumentou a confian\u00e7a das pessoas nas empresas. Foi um momento no qual trabalhadores de diferentes setores olharam para seus empregadores em busca de uma lideran\u00e7a segura, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. A\u00a0Leadership\u00a0Now\u00a0diz inclusive que v\u00ea essa mudan\u00e7a como uma oportunidade para que as empresas finquem o p\u00e9 e marquem suas posi\u00e7\u00f5es a favor da democracia.<\/p>\n<p>Mas a\u00e7\u00f5es como as propostas pela\u00a0Leadership\u00a0Now\u00a0podem ter consequ\u00eancias negativas se essas companhias mantiverem o investimento ou o apoio a pessoas e causas vistas como antidemocr\u00e1ticas. Um painel de debate realizado em dezembro de 2020 pela Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de Stanford, chamado<i>\u00a0\u201c<\/i><i>Conference<\/i><i>\u00a0<\/i><i>on<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Corporations<\/i><i>\u00a0<\/i><i>and<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Democracy<\/i><i>\u2018<\/i><i>\u2018<\/i>, falou sobre o assunto,\u00a0elencando\u00a0as potenciais\u00a0armadilhas que as empresas podem encontrar e as melhores maneiras de\u00a0evit\u00e1-las.<\/p>\n<p><i>\u201cEste \u00e9 um problema de gerenciamento de risco. E \u00e9\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/youtu.be\/apXwYOxilmg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>isso que se espera do conselho de uma empresa<\/i><\/a><i>. Eles v\u00e3o precisar definir diretrizes sobre o posicionamento de suas empresas perante quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais, para assegurar que n\u00e3o est\u00e3o colocando seus neg\u00f3cios em risco\u201d,<\/i>\u00a0declarou durante o painel\u00a0<b>Bruce\u00a0<\/b><b>Freed<\/b><b>, presidente da organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b><b><i>Canter<\/i><\/b><b><i>\u00a0for\u00a0<\/i><\/b><b><i>Political<\/i><\/b><b><i>\u00a0<\/i><\/b><b><i>Accountability<\/i><\/b>, baseada na capital Washington D.C.<\/p>\n<p>Em alguns casos, apoiar a democracia tamb\u00e9m pode trazer bons resultados financeiros, como provou o caso do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/features\/2020-05-20\/hong-kong-protesters-helped-local-businesses-survive-coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>Yellow<\/i><i>\u00a0Economic Circle<\/i><\/a>\u00a0em Hong Kong. O c\u00edrculo era nada mais que uma s\u00e9rie de restaurantes e outros prestadores de servi\u00e7o que se declararam a favor dos direitos do povo de Hong Kong durante a \u00faltima onda de protestos contra a opress\u00e3o do governo chin\u00eas em 2020. Como a pandemia impediu que os manifestantes pr\u00f3-democracia tomassem as ruas para protestar,\u00a0eles\u00a0decidiram se expressar apoiando e comprando nos estabelecimentos que haviam se comprometido anteriormente com a causa.<\/p>\n<p><i>\u201cPode ser que n\u00e3o\u00a0<\/i><i>consegu\u00edssemos<\/i><i>\u00a0sair \u00e0s ruas para protestar,\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/article\/us-hongkong-protests-mayday\/business-booms-for-yellow-firms-backing-hong-kong-protest-movement-idUSKBN22D577\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>mas apoiar os \u2018estabelecimentos amarelos\u2019 no nosso dia a dia \u00e9 algo que todos podem fazer<\/i><\/a><i>\u201c<\/i>, afirmou\u00a0<b>a manifestante Mary\u00a0<\/b><b>Ma<\/b><b>,<\/b>\u00a0em entrevista \u00e0 Reuters em maio do ano passado.<\/p>\n<p>Mas mesmo que as empresas tenham a confian\u00e7a do p\u00fablico, entrar na conversa sobre pol\u00edtica ainda \u00e9 um risco.\u00a0Leadership\u00a0Now, Civic Alliance e Business for\u00a0America\u00a0reconhecem a press\u00e3o que os l\u00edderes t\u00eam que encarar para construir alian\u00e7as relevantes e significativas.<\/p>\n<p><i>\u201cAs empresas t\u00eam certa apreens\u00e3o sobre serem vistas como agentes pol\u00edticos, mesmo quando sua posi\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 bem clara. Mas temos uma coaliz\u00e3o de empresas e associa\u00e7\u00f5es definindo alguns padr\u00f5es m\u00ednimos para marcar o que \u00e9 ser um apoiador da democracia, quais s\u00e3o as demandas e como tudo isso funciona na pr\u00e1tica\u201d<\/i>,\u00a0<b>conclui\u00a0<\/b><b>Ballou-Aares<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>Do capitalismo de vigil\u00e2ncia \u00e0 tecnologia humanizada<\/b><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que as empresas come\u00e7am a pensar em maneiras de apoiar a democracia, elas tamb\u00e9m\u00a0precisam\u00a0dar um passo atr\u00e1s e entender como elas podem ter colaborado para favorecer a polariza\u00e7\u00e3o e abrir espa\u00e7o para que a desinforma\u00e7\u00e3o tenha se propagado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Em seu livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.publicaffairsbooks.com\/titles\/shoshana-zuboff\/the-age-of-surveillance-capitalism\/9781610395694\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">A Era do Capitalismo de Vigil\u00e2ncia<\/a>\u201d (<i>\u201cThe Age\u00a0<\/i><i>of<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Surveillance<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Capitalism<\/i><i>\u201c<\/i>, em ingl\u00eas), a psic\u00f3loga social\u00a0Shoshanna\u00a0Zuboff, que tamb\u00e9m \u00e9 professora em Harvard, argumenta que a publicidade e as redes sociais s\u00e3o utilizadas para manipular consumidores e priorizar ao m\u00e1ximo o lucro em detrimento da democracia, da liberdade e at\u00e9 mesmo da pr\u00f3pria natureza humana.<\/p>\n<p>Assim como o document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/81254224\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">O Dilema das Redes<\/a>\u201c, um dos grandes sucessos da Netflix em 2020, o livro de\u00a0Zuboff\u00a0diz que as redes sociais transformaram a aten\u00e7\u00e3o humana em produto. As marcas compram essa aten\u00e7\u00e3o com an\u00fancios digitais\u00a0hiper-personificados, usando dados coletados pelas pr\u00f3prias redes sociais e usando mecanismos de rastreamento para entregar a essas pessoas,\u00a0conte\u00fados que fa\u00e7am com que elas permane\u00e7am por mais tempo nessas\u00a0p\u00e1ginas. Mas o que nos mant\u00e9m viciados nas redes n\u00e3o \u00e9 necessariamente algo fiel \u00e0 realidade, nem muito menos aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Muitos pa\u00edses t\u00eam feito um esfor\u00e7o para regular isso. Na Uni\u00e3o Europeia foi criado o RGPD,\u00a0<a href=\"https:\/\/gdpr.eu\/what-is-gdpr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Regulamento Geral para Prote\u00e7\u00e3o de Dados<\/a>\u00a0(<i>\u201cGeneral Data\u00a0<\/i><i>Protection<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Regulation<\/i><i>\u201c<\/i>, em ingl\u00eas), enquanto na\u00a0<a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2020\/07\/31\/media\/facebook-google-australia-media-intl-hnk\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Austr\u00e1lia existem projetos para obrigar Facebook e Google\u00a0a\u00a0pagarem aos meios de imprensa pelo conte\u00fado compartilhado em suas plataformas<\/a>. Mas \u00e9 preciso fazer mais para romper com esse modelo de neg\u00f3cio dominante. A d\u00favida \u00e9: ser\u00e1 que as empresas s\u00e3o as entidades certas para liderar essa mudan\u00e7a?<\/p>\n<p><b>Ethan\u00a0<\/b><b>Zuckerman<\/b><b>, professor de pol\u00edticas p\u00fablicas, comunica\u00e7\u00e3o e dados na Universidade de Massachusetts e fundador do Instituto pela Infraestrutura Digital P\u00fablica<\/b>\u00a0afirma que as marcas muitas vezes agem de maneiras que os governos n\u00e3o conseguem ou n\u00e3o querem fazer.<\/p>\n<p>Por exemplo, depois do terr\u00edvel atentado na escola\u00a0Marjory\u00a0Stoneman\u00a0Douglas, em\u00a0Parkland, na Fl\u00f3rida (EUA), os estudantes tentaram, sem sucesso, for\u00e7ar as autoridades a mudar as leis de porte de armas no estado\u00a0norte americano. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tiveram mais sucesso pressionando empresas como a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2019\/02\/12\/691999347\/soul-searching-after-parkland-dicks-ceo-embraces-tougher-stance-on-guns\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Dick\u2019s\u00a0Sporting\u00a0Goods<\/a>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.triplepundit.com\/story\/2018\/companies-amp-support-march-our-lives\/13046\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Wal-Mart<\/a>, que aceitaram parar de vender armas de n\u00edvel militar em suas lojas.<\/p>\n<p><i>\u201cOs l\u00edderes das empresas se importam com os neg\u00f3cios e com isso muitas vezes conseguem se manter isentos do tradicional paradigma \u2018esquerda-direita\u2019 da pol\u00edtica. Nesse v\u00e1cuo, s\u00e3o os neg\u00f3cios que direcionam a narrativa\u201d<\/i>,\u00a0<b>diz\u00a0<\/b><b>Zuckerman<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p>O fato de uma empresa ter uma posi\u00e7\u00e3o mais firme sobre quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas tamb\u00e9m pode ser uma vantagem competitiva na hora de recrutar talentos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnbc.com\/2018\/06\/27\/nearly-9-out-of-10-millennials-would-consider-a-pay-cut-to-get-this.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">principalmente nas novas gera\u00e7\u00f5es, onde as pessoas d\u00e3o cada vez mais import\u00e2ncia para trabalhar em empresas que compartilhem seus valores pessoais<\/a>. Em 2018, o relat\u00f3rio de tend\u00eancias do LinkedIn revelou que 86% dos\u00a0Millennials\u00a0e 71% de todos os profissionais entrevistados aceitariam receber menos para trabalhar em uma empresa com essas caracter\u00edsticas.\u00a0<b>Zuckerman<\/b>\u00a0aponta o caso da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.salesforce.com\/company\/stakeholder-capitalism\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Salesforce, que se aproveita dessa mesma din\u00e2mica ao focar seus servi\u00e7os no uso respons\u00e1vel da tecnologia e no chamado\u00a0<i>\u201cstakeholder\u00a0<\/i><i>capitalism<\/i><\/a><i>\u201c<\/i>, no qual empregados e consumidores t\u00eam prefer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos donos da empresa.<\/p>\n<p><i>\u201cMe pergunto se veremos mais corpora\u00e7\u00f5es se posicionando e lutando por quest\u00f5es sociais, permitindo que seus funcion\u00e1rios se organizem e realmente se comprometendo com a diversidade. Quando as empresas assumem esse tipo de posi\u00e7\u00e3o elas n\u00e3o est\u00e3o passando\u00a0<\/i><i>uma mensagem somente para o p\u00fablico, mas tamb\u00e9m para seus competidores e para as pessoas que possam querer trabalhar naquela empresa\u201d<\/i>,\u00a0<b>completou\u00a0<\/b><b>Zuckerman<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>A \u00e9tica e a empatia do futuro<\/b><\/p>\n<p>Seja por apoiar a democracia ou por pregar por pr\u00e1ticas tecnol\u00f3gicas respons\u00e1veis, assumir a posi\u00e7\u00e3o de ativista dentro do ambiente de trabalho \u00e9 algo que deve ser levado a s\u00e9rio. \u00c9 preciso ter uma \u00e9tica elevada e muita empatia, e nenhum desses dois itens costuma fazer parte do curr\u00edculo de um cientista da computa\u00e7\u00e3o ou de um engenheiro. Por isso as empresas devem encontrar novas maneiras de educar e capacitar seus colaboradores.<\/p>\n<p><b>Sarah\u00a0<\/b><b>Drinkwater<\/b><b>, Diretora de Tecnologia Respons\u00e1vel da\u00a0<\/b><a href=\"https:\/\/omidyar.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><b>Omidyar<\/b><b>\u00a0Network<\/b><\/a>, aponta para o\u00a0<a href=\"https:\/\/ethicalexplorer.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>Ethical<\/i><i>\u00a0Explorer<\/i><\/a>, guia gratuito criado pela empresa, como ponto de partida para aprender a identificar comportamentos problem\u00e1ticos dentro da organiza\u00e7\u00e3o e encontrar brechas para o debate e a cria\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Drinkwater<\/b>\u00a0era uma acad\u00eamica antes de come\u00e7ar a trabalhar como jornalista para depois migrar para a \u00e1rea da tecnologia. Ela dirigiu o Google Campus de Londres antes de entrar para a\u00a0Omidyar\u00a0Network. E\u00a0por conhecer\u00a0tanto o pensamento acad\u00eamico, quanto\u00a0o dos principais l\u00edderes do mercado, ela sente que ambos est\u00e3o bem distantes um do outro.<\/p>\n<p><i>\u201cO mercado e a academia n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua. A capacidade das empresas de ter um impacto positivo na sociedade \u00e9 gigante, mas muitos trabalhadores da \u00e1rea de tecnologia s\u00f3 entraram nessa conversa recentemente, enquanto na academia esse \u00e9 um assunto desde que os docentes ainda eram alunos de faculdade\u201d<\/i>,\u00a0<b>diz\u00a0<\/b><b>Drinkwater<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>A especialista ainda afirma<\/b>:\u00a0<i>\u201cO\u00a0<\/i><i>Ethical<\/i><i>\u00a0Explorer \u00e9 uma ferramenta criada para ajudar as pessoas que n\u00e3o t\u00eam uma base te\u00f3rica de \u00c9tica para encontrar maneiras de iniciar esse tipo de conversa. A partir disso, as equipes podem tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es e tentar gerar mudan\u00e7as\u201d.\u00a0<\/i><\/p>\n<p><b>Ballou-Aares<\/b>\u00a0tamb\u00e9m\u00a0aconselha\u00a0l\u00edderes de empresas que querem se tornar mais engajados socialmente a come\u00e7arem\u00a0aos poucos, dentro dos bairros, munic\u00edpios e distritos, onde os governantes geralmente\u00a0t\u00eam\u00a0uma car\u00eancia maior de\u00a0especialistas\u00a0em tecnologia e\u00a0ciberseguran\u00e7a:\u00a0<i>\u201cAs empresas podem, por exemplo, ter um papel importante em combater as fake\u00a0<\/i><i>news<\/i><i>\u00a0e a desinforma\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/i><i>bem<\/i><i>\u00a0como incentivar o voto e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d.\u00a0<\/i><\/p>\n<p><b>Agindo contra o autoritarismo\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>O cientista pol\u00edtico Larry Diamond, da Universidade de Stanford<\/b>, especializado em estudos sobre o autoritarismo, argumenta que as empresas t\u00eam a capacidade de lutar contra a \u201c<a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/kleptocracy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">cleptocracia<\/a>\u201d ao redor do mundo. Diamond acredita que apoiar jornalistas independentes e ONGs que trabalham para expor casos de corrup\u00e7\u00e3o e governos autorit\u00e1rios pode ser um bom come\u00e7o.<\/p>\n<p><i>\u201cAs melhores respostas contra a cleptocracia geralmente s\u00e3o vistas nos mesmos pa\u00edses onde esses regimes se originaram. Mas isso demanda muito mais do que simplesmente alguns \u2018<\/i><i>dedo-duros<\/i><i>\u2018 corajosos.\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/promarket.org\/2021\/02\/18\/kleptocracy-foreign-corruption-regulation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>Precisamos fazer muito mais para apoiar a linha de frente, os defensores que realmente se posicionam a favor da Lei e da democracia<\/i><\/a><i>\u201c<\/i>,\u00a0<b>escreveu Diamond.<\/b><\/p>\n<p>O cientista aponta ainda o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icij.org\/about\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos<\/a>, a coaliz\u00e3o de 267 rep\u00f3rteres que publicou o famoso caso dos \u201c<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Panama_Papers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Panama\u00a0Papers<\/a>\u201c, como um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o a ser apoiada pelas empresas mundo afora.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a p\u00fablica nas empresas tamb\u00e9m pode ajudar a respaldar decis\u00f5es dif\u00edceis e pol\u00eamicas por parte das empresas.\u00a0<i>\u201c<\/i><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/formedia\/blog\/working-to-stop-misinformation-and-false-news\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><i>Temos visto o Facebook ficar cada vez mais confort\u00e1vel para contra-atacar e restringir a propaga\u00e7\u00e3o de fake\u00a0<\/i><i>news<\/i><i>\u00a0e desinforma\u00e7\u00e3o<\/i><\/a><i>. A pandemia nos deu alguns bons exemplos disso. E n\u00e3o vimos tanta gente reclamando sobre liberdade de express\u00e3o ou coisas do tipo, como era de se esperar. Estou curioso para ver se esse movimento segue adiante\u201d<\/i>,\u00a0<b>afirma\u00a0<\/b><b>Zuckerman<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>Drinkwater<\/b>\u00a0\u00e9 outra que tamb\u00e9m aponta os esfor\u00e7os do Facebook e o posicionamento do Business\u00a0Roundtable\u00a0sobre a invas\u00e3o do Capit\u00f3lio como passos na dire\u00e7\u00e3o certa. Mas as diretorias das empresas precisam estar dispostas a agir, do contr\u00e1rio esse tipo de posicionamento ser\u00e1 muito mais visto como uma a\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do que como uma tentativa genu\u00edna de respaldar a democracia.<\/p>\n<p><i>\u201cOs CEOs mais inteligentes s\u00e3o aqueles que sabem sentir o ambiente, prever os pr\u00f3ximos movimentos e fazer as perguntas certas sobre qual \u00e9 o papel que devem cumprir dentro da democracia\u201d<\/i>,\u00a0<b>diz\u00a0<\/b><b>Drinkwater<\/b>.\u00a0<i>\u201cMas esse tipo de decis\u00e3o exige um n\u00edvel alto de entrega e uma preocupa\u00e7\u00e3o verdadeira. Os CEOs precisam se importar de verdade para que suas decis\u00f5es realmente tenham um impacto relevante\u201d.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos tempos do mundo digital, os consumidores muitas vezes confiam mais nas marcas do que em outros agentes da sociedade. 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