{"id":20207,"date":"2022-10-26T15:35:44","date_gmt":"2022-10-26T18:35:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/?p=20207"},"modified":"2022-10-26T15:36:14","modified_gmt":"2022-10-26T18:36:14","slug":"life-and-death-of-adobe-flash","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/20207\/","title":{"rendered":"A vida e a morte do Adobe Flash"},"content":{"rendered":"<p>Vamos fingir que estamos de volta, digamos, em 2008. Voc\u00ea acabou de comprar um novo computador com Windows XP, conectou-o \u00e0 internet, abriu o navegador, acessou seu site favorito\u2026 e descobriu que metade dele n\u00e3o abre. \u201cTente instalar o Adobe Flash\u201d, aconselhou por telefone um amigo que sabe tudo sobre computadores.<\/p>\n<p>As origens do Flash remontam ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990: era uma ferramenta para criar anima\u00e7\u00f5es simples baseadas em vetores, compactas o suficiente para serem baixadas mesmo em uma conex\u00e3o de internet lenta por meio de um modem.<\/p>\n<p>No final dos anos 2000, o Adobe Flash Player \u2013 continua uma ferramenta de anima\u00e7\u00e3o que \u00e9 do cora\u00e7\u00e3o \u2013 era praticamente indispens\u00e1vel. Sem ele, literalmente metade de todos os sites n\u00e3o funcionavam. Ao mesmo tempo, os cibercriminosos come\u00e7aram a utilizar as dezenas e dezenas de vulnerabilidades encontradas no player. E foi por causa disso que o Flash tem recebido muitas cr\u00edticas fervorosas desde 2010, e at\u00e9 a pr\u00f3pria Adobe reconheceu que a internet precisava se desenvolver em linhas diferentes. No entanto, o \u201cfuneral\u201d do Flash foi prolongado por quase 10 anos \u2013 e mesmo assim n\u00e3o foi devidamente sepultado. Tudo isso contribui para um dos epis\u00f3dios mais interessantes da hist\u00f3ria da seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o online. Vamos nos aprofundar nos detalhes\u2026<\/p>\n<h2>Computadores se tornam tablet<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria do Flash come\u00e7a em 1992\/93, quando v\u00e1rias empresas lan\u00e7aram tablets de uma s\u00f3 vez. Isso mesmo, como o iPad \u2013 s\u00f3 que 13 anos antes. Veja como era o IBM ThinkPad 700T, uma pe\u00e7a rara, por exemplo:<\/p>\n<div id=\"attachment_20209\" style=\"width: 1578px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20209\" class=\"wp-image-20209 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26111157\/life-and-death-of-adobe-flash-thinkpad.jpg\" alt='O computador tablet ThinkPad 700T. &lt;a href=\"https:\/\/twitter.com\/lenovonews\/status\/674237494758522880\" target=\"_blank\"&gt;Fonte&lt;\/a&gt;.' width=\"1568\" height=\"1565\"><p id=\"caption-attachment-20209\" class=\"wp-caption-text\">O computador tablet ThinkPad 700T. <a href=\"https:\/\/twitter.com\/lenovonews\/status\/674237494758522880\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>Esses dispositivos usavam o Penpoint OS desenvolvido pela <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GO_Corp.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">GO Corporation<\/a>. Esta primeira tentativa de fazer um computador tablet port\u00e1til, no entanto, travou e queimou. J\u00e1 em 1994, a Go Corporation foi vendida para a AT&amp;T Corporation, que imediatamente cessou sua produ\u00e7\u00e3o. No entanto, v\u00e1rios aplicativos independentes foram escritos para o Penpoint OS. Um deles foi o editor gr\u00e1fico SmartSketch, desenvolvido pela Futurewave Software.<\/p>\n<p>Infelizmente, o lan\u00e7amento do Smartsketch coincidiu com o fim do Penpoint OS. O Futurewave primeiro adaptou o editor para Microsoft Windows e Mac OS, depois a funcionalidade de criar gr\u00e1ficos animados foi adicionada, enquanto renomeava o produto FutureSplash Animator. Em 1996, a Futurewave Software foi adquirida pela Macromedia, e seu produto foi renomeado para Macromedia Flash. Consistia em dois componentes: um programa para criar anima\u00e7\u00f5es e um utilit\u00e1rio compacto Macromedia Flash Player para reproduzi-las nos computadores dos usu\u00e1rios. \u00c9 importante ressaltar que tanto o SmartSketch quanto o Macromedia Flash inicial usavam o que conhecemos como gr\u00e1ficos vetoriais.<\/p>\n<p>As fotos e imagens JPEG que todos estamos acostumados usam gr\u00e1ficos raster, em que cada pixel individual tem um valor de cor \u2013 e pode haver milhares ou at\u00e9 milh\u00f5es deles. Gr\u00e1ficos vetoriais n\u00e3o armazenam informa\u00e7\u00f5es de pixel; eles s\u00e3o uma receita para recriar uma imagem a partir de formas primitivas ou geom\u00e9tricas: linhas, quadrados, c\u00edrculos, etc. Arquivos vetoriais tendem a ser mais compactos que os raster: em vez de descrever cada pixel em uma imagem de um c\u00edrculo sobre fundo branco, armazenamos uma \u00fanica instru\u00e7\u00e3o: \u201cDesenhe um c\u00edrculo com um raio de X pixels em um fundo branco\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos 1990, as pessoas geralmente ficavam online por meio de modems. Essas conex\u00f5es eram muito lentas, com uma taxa de transfer\u00eancia de dados de 5 a 6 kilobytes por segundo, na melhor das hip\u00f3teses. Qualquer imagem raster de qualidade m\u00ednima decente levou pelo menos alguns segundos (ou at\u00e9 minutos) para carregar. Como resultado, muitos usu\u00e1rios simplesmente desativaram as imagens nas configura\u00e7\u00f5es do navegador. Usando gr\u00e1ficos vetoriais, no entanto, o Macromedia Flash foi capaz de fornecer imagens animadas coloridas que foram carregadas rapidamente.<\/p>\n<p>Outro ponto importante antes de continuarmos: quando falamos de Flash, estamos falando essencialmente do c\u00f3digo que \u00e9 baixado em um computador toda vez que um usu\u00e1rio abre um site com conte\u00fado Flash. Este n\u00e3o \u00e9 um arquivo execut\u00e1vel comum, mas um conjunto de instru\u00e7\u00f5es executadas pelo Macromedia Flash Player no PC. Ainda assim, o princ\u00edpio \u00e9 o mesmo (em teoria, por\u00e9m, n\u00e3o havia nada que impedisse a cria\u00e7\u00e3o de um arquivo execut\u00e1vel contendo tanto o conte\u00fado quanto o player).<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito para o Flash come\u00e7ar a pegar funcionalidades adicionais: al\u00e9m dos gr\u00e1ficos, vieram sons e efeitos especiais e, posteriormente, at\u00e9 transmiss\u00e3o de v\u00eddeo.<\/p>\n<h2>Aditivos online<\/h2>\n<p>O autor deste post teve contato com o Macromedia Flash pela primeira vez em 2001, ao assistir Masyanya, a resposta da R\u00fassia ao desenho norte-americano <em>Beavis e Butt-Head<\/em>. Naquele outono, toda segunda-feira de manh\u00e3, baixava e assistia a um novo epis\u00f3dio da anima\u00e7\u00e3o russa online, com dura\u00e7\u00e3o de um a dois minutos. O criador do Masyanya, Oleg Kuvaev, fez os v\u00eddeos animados com Macromedia Flash e os carregou em seu site especificamente como arquivos execut\u00e1veis, com o Flash Player e a pr\u00f3pria anima\u00e7\u00e3o incorporada. Essa abordagem essencialmente antecipou o YouTube. Masyanya ilustra perfeitamente a compacidade do formato: o sexto epis\u00f3dio da s\u00e9rie (chamado \u201cModem\u201d) tinha apenas 600 kilobytes de tamanho \u2013 incluindo o software de reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se esque\u00e7a. O mesmo epis\u00f3dio em formato de v\u00eddeo da qualidade mais b\u00e1sica pesa tr\u00eas vezes mais, e isso sem player.<\/p>\n<p>A tecnologia Macromedia Flash expandiu significativamente as capacidades dos navegadores de internet naqueles dias, que n\u00e3o diferiam em termos de conte\u00fado exibido: texto e imagens, ponto final. Portanto, foi um desenvolvimento l\u00f3gico criar um plug-in para reproduzir conte\u00fado Flash diretamente no navegador, eliminando a necessidade de baixar e executar as coisas separadamente. Ou seja, os objetos Flash ainda eram c\u00f3digos executados em seu computador \u2014 a \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que, ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o do plug-in, esses programas rodavam \u00e0 medida que o conte\u00fado da web era carregado, sem nenhuma a\u00e7\u00e3o adicional do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>As ferramentas do desenvolvedor tamb\u00e9m se expandiram: no final da d\u00e9cada de 1990, n\u00e3o se tratava mais de anima\u00e7\u00e3o simples. O Flash agora tornava poss\u00edvel implementar itens de menu interativos com o usu\u00e1rio, e havia suporte para uma linguagem de script que permitia criar constru\u00e7\u00f5es cada vez mais complexas dentro de um objeto Flash. Para visualizar isso, vamos mostrar a evolu\u00e7\u00e3o dos recursos do site.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 a primeira p\u00e1gina web, nos anos 1990:<\/p>\n<div id=\"attachment_20210\" style=\"width: 1291px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20210\" class=\"wp-image-20210 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26114244\/life-and-death-of-adobe-flash-first-page.jpg\" width=\"1281\" height=\"1405\"><p id=\"caption-attachment-20210\" class=\"wp-caption-text\">A primeira p\u00e1gina web feita. Apenas textos e links. <a>Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>Esta \u00e9 uma p\u00e1gina padr\u00e3o de um website em 1996:<\/p>\n<div id=\"attachment_20211\" style=\"width: 1249px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20211\" class=\"wp-image-20211 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26114417\/life-and-death-of-adobe-flash-yahoo-1996.jpg\" alt='O portal Yahoo! no outono de 1996. Ainda texto e links, com mais alguns elementos gr\u00e1ficos. &lt;a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/19961017235908\/http:\/\/www2.yahoo.com\/\" target=\"_blank\"&gt;Fonte&lt;\/a&gt;.' width=\"1239\" height=\"1345\"><p id=\"caption-attachment-20211\" class=\"wp-caption-text\">O portal Yahoo! no outono de 1996. Ainda texto e links, com mais alguns elementos gr\u00e1ficos. <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/19961017235908\/http:\/\/www2.yahoo.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>E aqui temos um website com elementos Flash dos anos 2000:<\/p>\n<div id=\"attachment_20212\" style=\"width: 840px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20212\" class=\"wp-image-20212 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26114514\/life-and-death-of-adobe-flash-playstation.jpg\" alt='O website da Sony PlayStation nos anos 2000. Uma profus\u00e3o de cores, mas a maioria dos elementos \u00e9 feito em HTML simples. O elemento central animado cont\u00e9m fotos, anima\u00e7\u00f5es e v\u00eddeos. &lt;a href=\"https:\/\/www.webdesignmuseum.org\/flash-websites\/playstation-2000\" target=\"_blank\"&gt;Fonte&lt;\/a&gt;.' width=\"830\" height=\"790\"><p id=\"caption-attachment-20212\" class=\"wp-caption-text\">O website da Sony PlayStation nos anos 2000. Uma profus\u00e3o de cores, mas a maioria dos elementos \u00e9 feito em HTML simples. O elemento central animado cont\u00e9m fotos, anima\u00e7\u00f5es e v\u00eddeos. <a href=\"https:\/\/www.webdesignmuseum.org\/flash-websites\/playstation-2000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>Web designers naquela \u00e9poca tinham prioridades diferentes: alguns lutavam pela compatibilidade m\u00e1xima, outros sacrificavam a compatibilidade por causa dos gr\u00e1ficos. No primeiro caso de 1996, mesmo que um site tivesse elementos Flash, ainda era poss\u00edvel navegar nele sem problemas. No outro exemplo, um site precisava de Flash; sem isso ele n\u00e3o funcionaria. Como, por exemplo, este landing page do Nike Air:<\/p>\n<div id=\"attachment_20213\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20213\" class=\"wp-image-20213 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26114659\/life-and-death-of-adobe-flash-nike.jpg\" alt='Em primeiro lugar, parece bom. Toda a interface do site Nike Air 2006 foi constru\u00edda usando Flash. N\u00e3o abria sem o plug-in correto. &lt;a href=\"https:\/\/www.webdesignmuseum.org\/flash-websites\/nike-air-2006\" target=\"_blank\"&gt;Fonte&lt;\/a&gt;.' width=\"1000\" height=\"700\"><p id=\"caption-attachment-20213\" class=\"wp-caption-text\">Em primeiro lugar, parece bom. Toda a interface do site Nike Air 2006 foi constru\u00edda usando Flash. N\u00e3o abria sem o plug-in correto. <a href=\"https:\/\/www.webdesignmuseum.org\/flash-websites\/nike-air-2006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>O Macromedia Flash expandiu seriamente os limites do que era poss\u00edvel no design de sites. Desatou as m\u00e3os dos desenvolvedores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o de elementos animados, uso de som e v\u00eddeo e efeitos atraentes ao se mover entre as p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Em 2006, a Macromedia foi comprada pela Adobe Corporation. Logo, o Flash estava sendo usado para criar jogos inteiros que rodavam direto no navegador \u2013 um passo sem precedentes em meados dos anos 2000. Enquanto isso, os dispositivos m\u00f3veis estavam se desenvolvendo rapidamente. As alternativas do Flash Player tamb\u00e9m estavam sendo desenvolvidas para eles, disponibilizando conte\u00fado em v\u00e1rias plataformas. 2005 foi o ano do lan\u00e7amento do YouTube. Ele tamb\u00e9m usou o Flash Player para entregar v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Uma consequ\u00eancia negativa foi que os anunciantes se empolgaram demais criando banners berrantes em Macromedia\/Adobe Flash. Como ainda eram executados no computador do usu\u00e1rio, \u00e0s vezes eles sobrecarregavam o sistema, deixando outros programas muito lentos. Em alguns navegadores e plug-ins, apareceu a op\u00e7\u00e3o de desativar o Flash por padr\u00e3o. Por\u00e9m, como rapidamente aconteceu, os banners eram o menor dos muitos problemas que aguardavam o mundo da computa\u00e7\u00e3o dominado pelo Flash.<\/p>\n<h2>Um enorme buraco de seguran\u00e7a<\/h2>\n<p>Reconstruir a linha do tempo da detec\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades no Adobe Flash Player \u00e9 bastante dif\u00edcil, pois o programa remonta ao in\u00edcio da web moderna. No in\u00edcio dos anos 2000, ainda n\u00e3o era pr\u00e1tica comum notificar usu\u00e1rios e clientes sobre vulnerabilidades. No <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20100406041941\/http:\/www.adobe.com\/support\/security\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">arquivo<\/a> de boletins e avisos da Adobe, que inclui dados da era Macromedia, a primeira men\u00e7\u00e3o sobre uma vulnerabilidade do Flash Player aparece em 2002. O banco de dados CVE do MITRE <a href=\"https:\/\/cve.mitre.org\/cgi-bin\/cvekey.cgi?keyword=macromedia+flash\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">lista mais de 1.100 vulnerabilidades<\/a> relacionadas ao Adobe Flash Player.<\/p>\n<p>As primeiras vulnerabilidades de execu\u00e7\u00e3o de c\u00f3digo arbitr\u00e1rio (ACE) neste banco de dados tamb\u00e9m datam de 2002. Um invasor conseguiu enviar um arquivo Adobe Flash para a v\u00edtima, que, quando reproduzido, executava um c\u00f3digo malicioso. Algumas dessas vulnerabilidades tinham uma pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de CVSS de 10,0 (de acordo com fontes n\u00e3o verificadas, havia mais de 800 vulnerabilidades do ACE em todas as vers\u00f5es do Flash Player). Essas vulnerabilidades eram f\u00e1ceis de explorar, muitas vezes exigia pouca ou nenhuma a\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio. Bastava atrair a v\u00edtima para um site com um objeto Adobe Flash malicioso incorporado nele. Alguns ataques comprometeram os sistemas de distribui\u00e7\u00e3o de an\u00fancios, fazendo com que conte\u00fado malicioso aparecesse repentinamente em sites visitados por milh\u00f5es de usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que temos enfatizado que os objetos Flash s\u00e3o essencialmente programas que s\u00e3o entregues na m\u00e1quina do usu\u00e1rio e executados l\u00e1. Uma consequ\u00eancia dos amplos recursos de tecnologia foi o surgimento de in\u00fameras brechas por meio das quais os invasores poderiam obter controle total sobre um computador. J\u00e1 em 2005, o Flash era a tecnologia mais popular para executar aplicativos web.<\/p>\n<p>Em 2002, n\u00e3o achamos que isso \u00e9 um problema. Basta entregar uma atualiza\u00e7\u00e3o para todos os usu\u00e1rios. Mas as atualiza\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas do Flash Player apareceram apenas no final da vida \u00fatil da tecnologia \u2013 elas simplesmente n\u00e3o existiam nos anos 2000. Naquela \u00e9poca, voc\u00ea tinha que ir ao site da Adobe, baixar a nova vers\u00e3o e instal\u00e1-la manualmente. Alguns usu\u00e1rios nem sabiam que tinham uma vers\u00e3o do Flash Player que precisava ser atualizada. A vulnerabilidade de 2006 tamb\u00e9m foi sinalizada (junto com outras tr\u00eas) em um <a href=\"https:\/\/learn.microsoft.com\/pt-br\/security-updates\/securitybulletins\/2006\/ms06-069\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">boletim<\/a> da Microsoft, porque o c\u00f3digo da Adobe poderia ser distribu\u00eddo com o Windows XP. A pr\u00f3pria Microsoft tratou das atualiza\u00e7\u00f5es para o processo de entrega e de instala\u00e7\u00e3o de patches \u2013 que tamb\u00e9m n\u00e3o foi o ideal.<\/p>\n<p>O qu\u00e3o ruim era a situa\u00e7\u00e3o de entrega de atualiza\u00e7\u00f5es \u00e9 evidente em um <a href=\"https:\/\/securelist.com\/kaspersky-lab-report-evaluating-the-threat-level-of-software-vulnerabilities\/36822\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio<\/a> da Kaspersky de 2012. Naquele ano, o Adobe Flash Player j\u00e1 era o l\u00edder em n\u00famero de vulnerabilidades encontradas nos computadores dos usu\u00e1rios. At\u00e9 ent\u00e3o, um sistema estava em vigor para notificar os usu\u00e1rios do Flash Player sobre as atualiza\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, bem como para rastrear a rapidez com que eram instaladas. Com cada falha de seguran\u00e7a descoberta, a parcela de usu\u00e1rios vulner\u00e1veis \u200b\u200bcresceu exponencialmente, chegando a 60% em 2012, antes de diminuir a cada nova patch. O processo de distribui\u00e7\u00e3o de atualiza\u00e7\u00e3o, pelo menos para a maioria dos usu\u00e1rios, levou de tr\u00eas semanas a dois meses \u2013 segundo os padr\u00f5es atuais. O pior de tudo era para usu\u00e1rios de vers\u00f5es muito antigas, que nem recebiam lembretes de atualiza\u00e7\u00e3o; ao longo de 2012 sua participa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou apenas cerca de 10%.<\/p>\n<p>Vamos dar uma olhada em outro <a href=\"https:\/\/securelist.com\/kaspersky-security-bulletin-2015-overall-statistics-for-2015\/73038\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio<\/a> da Kaspersky, desta vez de 2015. Ele lista 13 novas vulnerabilidades no Flash Player, que eram conhecidas por serem usadas (junto com outras que eram antigas, mas ainda ativas) nos chamados pacotes de explora\u00e7\u00e3o \u2014 kits contendo v\u00e1rias explora\u00e7\u00f5es para atacar vulnerabilidades em software nos computadores dos usu\u00e1rios, uma a uma, at\u00e9 que uma descoberta fosse feita. A maioria dos ataques reais aos usu\u00e1rios foi realizada por meio do navegador (62%), sendo a causa mais comum, segundo especialistas da Kaspersky, uma vulnerabilidade do Flash. O Flash acabou sendo derrubado como a principal fonte de amea\u00e7as por outra tecnologia de plug-in popular, Java, que foi usada, por exemplo, nos primeiros sistemas banc\u00e1rios online.<\/p>\n<h2>Funeral de dez anos<\/h2>\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 2010, o Adobe Flash j\u00e1 era visto como obsoleto. Talvez a primeira declara\u00e7\u00e3o de destaque contra o Flash tenha sido a carta aberta \u201c<a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20100630153444\/https:\/www.apple.com\/hotnews\/thoughts-on-flash\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Thoughts on Flash<\/a>\u201d do fundador e CEO da Apple, Steve Jobs. Depois de passar por crises permanentes nos anos 90, em 2010 a Apple estava bem: em 2007 foi lan\u00e7ado o primeiro iPhone, seguido em 2010 pelo primeiro iPad, que, ao contr\u00e1rio dos tablets de 1993, fez sucesso. O iPhone inicialmente carecia de muitos dos recursos encontrados em outros smartphones. Em particular, ele n\u00e3o suportava Flash e, portanto, n\u00e3o podia exibir sites que usavam a tecnologia. No final dos anos 2000, esse foi um argumento s\u00e9rio a favor dos smartphones Symbian da Nokia e dos primeiros dispositivos Android, que tinham suporte a Flash.<\/p>\n<p>Steve Jobs citou a seguran\u00e7a como uma das principais raz\u00f5es pelas quais os dispositivos m\u00f3veis da Apple nunca rodariam o Flash. Al\u00e9m disso, a Apple n\u00e3o podia aceitar n\u00e3o ter controle sobre como o Flash operava em seus dispositivos. Durante toda a sua vida, o Flash (exceto por alguns elementos) foi uma solu\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria \u2013 ao contr\u00e1rio de padr\u00f5es abertos como HTML5 ou Javascript. Se a Apple tivesse permitido e a Adobe tivesse implementado o suporte a Flash, jogos, v\u00eddeos e elementos da web no smartphone teriam prejudicado a performance do aparelho e at\u00e9 travado. E a fabricante do dispositivo teria sido culpada!<\/p>\n<p>Havia outros argumentos tamb\u00e9m. Ao contr\u00e1rio dos computadores desktop, o c\u00f3digo para smartphones deve ser o mais simplificado poss\u00edvel para n\u00e3o consumir a bateria. Otimizar o Flash, que na \u00e9poca nem suportava acelera\u00e7\u00e3o de GPU, era praticamente imposs\u00edvel. Mesmo que a Adobe tivesse feito uma \u00f3tima vers\u00e3o do Flash Player, o desempenho dos aplicativos Flash dependeria dos desenvolvedores individuais \u2014 dos quais havia muitos milhares. E a obsess\u00e3o por controle da Apple n\u00e3o foi capaz de tolerar isso.<\/p>\n<p>Outras empresas de tecnologia tamb\u00e9m n\u00e3o queriam depender do software propriet\u00e1rio de um concorrente. A maneira normal que os players do mercado interagem \u00e9 atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o em um padr\u00e3o aberto. Mas isso ainda exigia que todos aceitassem esse padr\u00e3o! E isso n\u00e3o foi f\u00e1cil. Alguns tentaram replicar o sucesso do Flash e criar seu pr\u00f3prio formato propriet\u00e1rio. Em particular, a Microsoft decidiu em 2007 desenvolver seu pr\u00f3prio \u201cFlash aprimorado\u201d chamado <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Silverlight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Silverlight<\/a>, mas \u2013 felizmente \u2013 n\u00e3o pegou.<\/p>\n<p>Em 2015, a revista <em>Wired<\/em> publicou um <a href=\"https:\/\/www.wired.com\/2015\/07\/adobe-flash-player-die\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">artigo<\/a> intitulado \u201cFlash. Deve. Morrer.\u201d Ele descreve as tentativas de v\u00e1rios players do setor de lidar com a \u201cgrande vulnerabilidade\u201d que atende pelo nome de Adobe Flash Player. Nesse mesmo ano, os desenvolvedores do navegador Firefox desativaram o plug-in para reproduzir conte\u00fado Flash por padr\u00e3o. O Chrome afirmou que desativaria o conte\u00fado Flash \u201csem import\u00e2ncia\u201d em sites (leia-se: banners de v\u00eddeo que sobrecarregam seriamente o sistema). Alex Stamos, ent\u00e3o Diretor de Seguran\u00e7a do Facebook, sugeriu definir uma data final para retirar o suporte para essa tecnologia herdada. O pr\u00f3prio Facebook naquele momento ainda estava usando o Flash para reproduzir v\u00eddeos. O padr\u00e3o aberto HTML5 estava de fato em posi\u00e7\u00e3o de substituir o Flash como a ferramenta universal para a constru\u00e7\u00e3o de sites interativos com conte\u00fado pesado. Mas livrar-se de um legado t\u00e3o grande da noite para o dia era simplesmente imposs\u00edvel. As redes de an\u00fancios dependiam do Flash \u2014 assim como usu\u00e1rios de computadores antigos com navegadores desatualizados e desenvolvedores de sites com uma grande biblioteca de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Somente em julho de 2017 a Adobe anunciou que estava suspendendo o desenvolvimento e encerrando o suporte ao Flash, mas com um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o generoso de tr\u00eas anos. Quase imediatamente, todos os navegadores populares come\u00e7aram a executar o conte\u00fado Flash apenas quando solicitado pelo usu\u00e1rio. Finalmente, em 12 de janeiro de 2021 \u2014 25 anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do Macromedia Flash Player 1.0, e 13 anos ap\u00f3s a descoberta da primeira vulnerabilidade supercr\u00edtica no software \u2014 o suporte ao usu\u00e1rio para Flash foi descontinuado. A partir desta data, os navegadores modernos n\u00e3o reproduzem mais conte\u00fado em Flash, mesmo que voc\u00ea queira e tenha o Flash Player instalado, e a vers\u00e3o mais recente at\u00e9 o impede de ser executado.<\/p>\n<div id=\"attachment_20214\" style=\"width: 837px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20214\" class=\"wp-image-20214 size-full\" src=\"https:\/\/media.kasperskydaily.com\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2022\/10\/26114916\/life-and-death-of-adobe-flash-finish.jpg\" alt='A mensagem pop-up sobre o fim do Flash que aparecia no final de 2020. &lt;a href=\" https:\/\/www.bleepingcomputer.com\/news\/security\/adobe-flash-player-is-officially-dead-tomorrow\/\" target=\"_blank\"&gt;Fonte&lt;\/a&gt;.' width=\"827\" height=\"452\"><p id=\"caption-attachment-20214\" class=\"wp-caption-text\">A mensagem pop-up sobre o fim do Flash que aparecia no final de 2020. <a href=\"https:\/\/www.bleepingcomputer.com\/news\/security\/adobe-flash-player-is-officially-dead-tomorrow\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fonte<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>No entanto, a era do Flash ainda n\u00e3o acabou. Quarenta dias ap\u00f3s a retirada do Flash, publicamos uma <a href=\"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/adobe-flash-40th-day-after\/16952\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o atual<\/a> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia. Descobriu-se que alguns aplicativos corporativos ainda estavam vinculados a ele e n\u00e3o eram mais atualizados. Em particular, a tecnologia ainda \u00e9 amplamente utilizada na China. Algumas empresas que n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem se separar do Flash est\u00e3o prontas para criar navegadores personalizados que o suportam. S\u00f3 podemos esperar que eles saibam o que est\u00e3o fazendo. No m\u00ednimo, n\u00e3o use esses navegadores em computadores sem uma <a href=\"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/small-to-medium-business-security?icid=br_kdailyplacehold_acq_ona_smm__onl_b2b_kasperskydaily_wpplaceholder_______\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">solu\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a de alta qualidade<\/a>.<\/p>\n<p>O Flash tamb\u00e9m interessa aos arquivistas da web: com o passar da tecnologia, grande parte da produ\u00e7\u00e3o criativa de dezenas de milhares de pessoas tornou-se inacess\u00edvel.<\/p>\n<h2>N\u00e3o \u00e9 culpa de ningu\u00e9m \u2013 ou quase<\/h2>\n<p>\u00c9 perfeitamente compreens\u00edvel por que a Adobe demorou tanto para anunciar o fim da vida \u00fatil do Adobe Flash. O suporte para a tecnologia na grande maioria dos PCs de consumo significou altas vendas de ferramentas de desenvolvimento de conte\u00fado. A partir de 2013, a empresa conseguiu adaptar essa parte da tecnologia para o mundo moderno: o ainda ativo Adobe AIR permite desenvolver aplicativos para Windows, Mac OS, Android e iOS. \u00c9 essencialmente o sucessor direto do Adobe Flash, suportando tecnologias propriet\u00e1rias da empresa e tecnologias de c\u00f3digo aberto, como HTML5.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que a Adobe desenvolveu o Flash de uma maneira particularmente ruim. A tecnologia foi amaldi\u00e7oada por sua pr\u00f3pria popularidade e pelos princ\u00edpios de desenvolvimento da d\u00e9cada de 1990. O Adobe Flash Player tinha acesso total aos recursos do computador e qualquer grande erro de codifica\u00e7\u00e3o tinha consequ\u00eancias igualmente importantes. Um excelente exemplo foi o <a href=\"http:\/\/www.h-online.com\/security\/news\/item\/Adobe-remedies-webcam-spy-hole-in-Flash-1364631.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">bug<\/a> no player que permitia que qualquer site acessasse a webcam do usu\u00e1rio. Lidar com esse legado \u2013 c\u00f3digo antigo inseguro \u2013 n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. A corre\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 complicada: qualquer otimiza\u00e7\u00e3o ou tecnologia de seguran\u00e7a compromete a compatibilidade com milh\u00f5es de aplicativos Flash em milhares de sites.<\/p>\n<p>N\u00e3o que a Adobe n\u00e3o tenha tentado. Ap\u00f3s a descoberta da primeira vulnerabilidade 10.0 em 2008, a empresa corrigiu dezenas de vulnerabilidades cr\u00edticas no Flash Player todos os anos at\u00e9 2011. Mas parece que adaptar o Flash \u00e0s ideias em evolu\u00e7\u00e3o sobre seguran\u00e7a na Internet foi um passo muito largo. Os navegadores de hoje n\u00e3o exigem nenhum plug-in para exibir qualquer conte\u00fado online. Isso significa que o desenvolvedor do navegador \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela navega\u00e7\u00e3o segura do usu\u00e1rio e mais ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Tudo baixado da web agora \u00e9 considerado inseguro por defini\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o os fabricantes de navegadores se esfor\u00e7am para isolar sites uns dos outros e de outros programas no dispositivo \u2013 seja um computador, smartphone ou tablet. Eles est\u00e3o claramente fazendo um bom trabalho, mas, infelizmente, os cibercriminosos tamb\u00e9m est\u00e3o melhorando suas ferramentas. Somente no Google Chrome em 2022, foram descobertas seis vulnerabilidades de zero-day que j\u00e1 usadas em ataques. Claro, isso \u00e9 menos do que as 15 vulnerabilidades do Adobe Flash Player exploradas por cibercriminosos em 2015, mas a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>Vamos terminar com uma nota positiva: o Adobe Flash desempenhou um papel importante na forma\u00e7\u00e3o da web como a conhecemos agora. Ele transformou sites de uma cole\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona de p\u00e1ginas baseadas em texto em algo, bem, mais criativo e visual. O Flash ajudou a realizar o sonho de um universo virtual, conforme imaginado pelos livros e filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos anos 1990. Para alguns, o design do site nos anos 2000 era muito espalhafatoso, muito exagerado, muito \u201creceba!\u201d. Na d\u00e9cada seguinte, o estilo geral dos sites e aplicativos foi arrefecendo, enquanto a pr\u00f3pria internet se tornou uma parte indispens\u00e1vel da vida cotidiana. O Adobe Flash foi fundamental durante todo esse per\u00edodo \u2013 a chamada era rom\u00e2ntica da internet. Pode ter sido dif\u00edcil, com uma propens\u00e3o a despejar seus dados por a\u00ed atrav\u00e9s de um clique descuidado, mas sempre continuar\u00e1 sendo uma parte essencial do in\u00edcio da hist\u00f3ria da web.<\/p>\n<input type=\"hidden\" class=\"category_for_banner\" value=\"kesb-trial\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um editor de gr\u00e1ficos vetoriais ajudou a criar uma das tecnologias mais importantes da Internet e por que isso levou a enormes riscos de seguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":665,"featured_media":20208,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1119,1655,1656],"tags":[3031,2609,1448,3077],"class_list":{"0":"post-20207","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-business","8":"category-enterprise","9":"category-smb","10":"tag-cronica","11":"tag-flash","12":"tag-navegadores","13":"tag-vulnerabiliaddes"},"hreflang":[{"hreflang":"pt-br","url":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/20207\/"},{"hreflang":"en-in","url":"https:\/\/www.kaspersky.co.in\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/24781\/"},{"hreflang":"en-ae","url":"https:\/\/me-en.kaspersky.com\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/20260\/"},{"hreflang":"ar","url":"https:\/\/me.kaspersky.com\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/10166\/"},{"hreflang":"en-us","url":"https:\/\/usa.kaspersky.com\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/27291\/"},{"hreflang":"en-gb","url":"https:\/\/www.kaspersky.co.uk\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/25109\/"},{"hreflang":"es-mx","url":"https:\/\/latam.kaspersky.com\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/25455\/"},{"hreflang":"es","url":"https:\/\/www.kaspersky.es\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/28010\/"},{"hreflang":"it","url":"https:\/\/www.kaspersky.it\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/27319\/"},{"hreflang":"ru","url":"https:\/\/www.kaspersky.ru\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/34123\/"},{"hreflang":"tr","url":"https:\/\/www.kaspersky.com.tr\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/11141\/"},{"hreflang":"x-default","url":"https:\/\/www.kaspersky.com\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/45906\/"},{"hreflang":"fr","url":"https:\/\/www.kaspersky.fr\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/19658\/"},{"hreflang":"de","url":"https:\/\/www.kaspersky.de\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/29428\/"},{"hreflang":"ja","url":"https:\/\/blog.kaspersky.co.jp\/life-and-death-of-adobe-flash\/32775\/"},{"hreflang":"nl","url":"https:\/\/www.kaspersky.nl\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/28584\/"},{"hreflang":"ru-kz","url":"https:\/\/blog.kaspersky.kz\/life-and-death-of-adobe-flash\/25531\/"},{"hreflang":"en-au","url":"https:\/\/www.kaspersky.com.au\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/31157\/"},{"hreflang":"en-za","url":"https:\/\/www.kaspersky.co.za\/blog\/life-and-death-of-adobe-flash\/30866\/"}],"acf":[],"banners":"","maintag":{"url":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/tag\/cronica\/","name":"cr\u00f4nica"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/665"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20207"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20217,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20207\/revisions\/20217"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}