{"id":5225,"date":"2015-05-06T18:56:06","date_gmt":"2015-05-06T18:56:06","guid":{"rendered":"http:\/\/kasperskydaily.com\/brazil\/?p=5225"},"modified":"2019-11-22T07:47:08","modified_gmt":"2019-11-22T10:47:08","slug":"como-as-interfaces-neurais-diretas-trabalham","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kaspersky.com.br\/blog\/como-as-interfaces-neurais-diretas-trabalham\/5225\/","title":{"rendered":"Como as interfaces neurais diretas trabalham"},"content":{"rendered":"<p>Estamos vivendo em uma \u00e9poca em que\u00a0as tecnologias que pareciam ser algo exclusivo da\u00a0fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e3o entrando nas nossas vidas cotidianas. Ou, pelos menos, elas est\u00e3o dando os primeiros passos para serem parte da nossa realidade. Um \u00f3timo exemplo dessa tecnologia \u00e9 a interface neural direta. Por um lado, \u00e9 apenas uma forma de intera\u00e7\u00e3o entre m\u00e1quina e humano, mas, por outro lado, ela representa algo muito mais revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Hoje em dia, os componentes dos PCs modernos s\u00e3o os mouses, teclados ou displays sens\u00edveis ao toque, as tecnologias de reconhecimento por voz ou gestos est\u00e3i cada vez mais comuns. Atualmente, um computador j\u00e1 \u00e9 capaz de rastrear os movimentos dos seus olhos ou identificar em qual dire\u00e7\u00e3o um usu\u00e1rio olha. A pr\u00f3xima etapa da intera\u00e7\u00e3o homem-m\u00e1quina ser\u00e1 um meio de c\u00e1lculo direto de sinais do sistema neural, apresentado pelas interfaces neurais diretas.<\/p>\n<p><strong>Como tudo come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros conhecimentos\u00a0te\u00f3ricos sobre este conceito s\u00e3o baseados na investiga\u00e7\u00e3o fundamental realizada por Sechenov e Pavlov, que s\u00e3o os pais da teoria do reflexo condicional. Na R\u00fassia, o desenvolvimento desta teoria, que serve de base para tais dispositivos, come\u00e7ou em meados do s\u00e9culo XX. A aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, realizada tanto na R\u00fassia quanto no exterior, come\u00e7ou somente\u00a0em 1970.<\/p>\n<p>Naqueles dias, os cientistas tentaram injetar v\u00e1rios sensores nos corpos de chimpanz\u00e9s de laborat\u00f3rio com o objetivo de \u201cmanipular sua vontade\u201d e conseguir que realizassem certas a\u00e7\u00f5es. Curiosamente, funcionou.<\/p>\n<p>Como se costuma dizer, quando h\u00e1 vontade, h\u00e1 um caminho. O principal desafio foi o fato de que, a fim de fazer a coisa toda funcionar, os cientistas tiveram que equipar a sua \u201cm\u00e1quina mente\u201d com um conjunto de componentes eletr\u00f4nicos que ocupavam toda uma sala.<\/p>\n<p>Hoje em dia, este desafio pode ser enfrentado com maior facilidade, j\u00e1 que muitos componentes eletr\u00f4nicos se tornaram min\u00fasculos. Assim mesmo, hoje qualquer geek pode jogar o papel do\u00a0chimpanz\u00e9 de laborat\u00f3rio dos anos 70. Nem se quer mencionamos o uso pr\u00e1tico de tais tecnologias e as vantagens para as pessoas com defici\u00eancia ou paralisias. Mas vamos voltar aos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>Como funciona<\/strong><\/p>\n<p>Em poucas palavras,\u00a0o sistema neural humano gera, transmite e processa sinais eletroqu\u00edmicos em diferentes partes do corpo. Portanto, a \u201cparte el\u00e9trica\u201d \u200b\u200bdesses sinais pode ser \u201clida\u201d e \u201cinterpretada\u201d.<\/p>\n<p>Existem maneiras diferentes de fazer isso; todos elas t\u00eam as suas vantagens e desvantagens. Por exemplo, voc\u00ea pode coletar os sinais via resson\u00e2ncia magn\u00e9tica (MRI), mas os equipamentos necess\u00e1rios s\u00e3o muito volumosos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel injetar l\u00edquidos marcadores para permitir o processo, mas que pode ser prejudicial para o organismo humano. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel usar sensores min\u00fasculos. O uso de\u00a0tais sensores \u00e9, em geral, o meio de utiliza\u00e7\u00e3o das interfaces neurais diretas.<\/p>\n<p>Em nossa vida cotidiana, podemos encontrar um desses equipamentos\u00a0no escrit\u00f3rio do neurologista. Parece uma tampa de borracha com uma tonelada de sensores e fios ligados a ela, que serve para diagn\u00f3sticos, mas quem disse que n\u00e3o pode servir para outras finalidades?<\/p>\n<p>Devemos diferenciar entre as interfaces neurais diretas e interfaces c\u00e9rebro-m\u00e1quina. Esta \u00faltima \u00e9 uma deriva\u00e7\u00e3o da primeira e lida apenas com o c\u00e9rebro. As interfaces neurais diretas lidam com diferentes partes do sistema neural. Em resumo, n\u00f3s estamos falando sobre a conex\u00e3o direta ou indireta com o sistema neural do ser humano, que podemos usar para transmitir e receber certos sinais.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas maneiras de \u201cconectar\u201d um ser humano, e todas elas dependem dos sensores utilizados. Por exemplo, os sensores variam em termos de imers\u00e3. Existem os seguintes tipos de sensores:<\/p>\n<ul>\n<li>Sensores n\u00e3o-submersos: os el\u00e9trodos est\u00e3o posicionados na superf\u00edcie da pele, ou um pouco separado, como os utilizados na \u201ctampa m\u00e9dica\u201d mencionada acima.<\/li>\n<li>Sensores metade submersos: os sensores s\u00e3o posicionados na superf\u00edcie do c\u00e9rebro ou perto dos nervos.<\/li>\n<li>Sensores submersos: os sensores s\u00e3o implantados diretamente e emendados no c\u00e9rebro ou nos nervos. Este m\u00e9todo \u00e9 muito difundido e tem um monte de efeitos colaterais: voc\u00ea pode acidentalmente mexer com um sensor, que por sua vez pode provocar o processo de rejei\u00e7\u00e3o. Bem, este m\u00e9todo \u00e9 assustador, mas, no entanto, \u00e9 usado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para garantir uma maior qualidade do sinal, os sensores podem ser humedecidos com l\u00edquidos especiais, ou o sinal pode ser processado inicialmente, no local, etc. Em seguida, os sinais registrados s\u00e3o processados \u200b\u200bpor hardware e software espec\u00edficos, e baseados em um certo objetivo, produzindo um determinado resultado.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/BionicManDiary?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">#BionicManDiary<\/a> A experi\u00eancia do biochip no meu corpo: <a href=\"http:\/\/t.co\/lWEG0GyvpE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">http:\/\/t.co\/lWEG0GyvpE<\/a> <a href=\"http:\/\/t.co\/4DM3j71cnp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">pic.twitter.com\/4DM3j71cnp<\/a><\/p>\n<p>\u2014 Kaspersky Brasil (@Kasperskybrasil) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Kasperskybrasil\/status\/596024412987621376?ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">May 6, 2015<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p><strong>\u00a0Onde ele pode ser usado<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro objetivo que vem \u00e0 mente \u00e9 a \u00e1rea de pesquisa. Se nos referimos aos estudos iniciais, falamos sobre as experi\u00eancias com animais (momento onde tudo come\u00e7ou). Foram utilizados\u00a0ratos e chimpanz\u00e9s nos quais foram injetados el\u00e9trodos\u00a0min\u00fasculos e, em seguida, suas zonas cerebrais ou atividades do sistema neural foram monitoradas. Os dados coletados foram de grande ajuda para os\u00a0estudos sobre os processos cerebrais.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo\u00a0\u00e9 a medicina. Vale a pena mencionar que tais interfaces foram utilizadas em diagn\u00f3sticos neurol\u00f3gicos. Se o indiv\u00edduo estudado obt\u00e9m o resultado, ele pode iniciar um processo chamado neurofeedback.<\/p>\n<p>Um canal adicional respons\u00e1vel pela auto-regula\u00e7\u00e3o do organismo \u00e9 despertado: os dados da fisiologia s\u00e3o fornecidos para o usu\u00e1rio, de forma compreens\u00edvel, e ele\/ela aprende a gerir o seu\/sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o com base nas contribui\u00e7\u00f5es recebidas. Esses aparelhos j\u00e1 existem e s\u00e3o utilizados.<\/p>\n<p>Outro caso \u2013 um tanto comprometedor \u2013 \u00e9 o uso de neuroprot\u00e9ses, tecnologia que tem permitido que alguns cientisas alcancem resultados importantes. No caso de existir alguma possibilidade de \u201creparar\u201dos nervos condutores danificados em um membro paralizado, haveria uma oportunidade de injetar el\u00e9trodos que permitiriam \u2013 poosteriormente- levar os sinais aos m\u00fasculos. O mesmo se aplica \u00e0s extremidades artificiais que podem conectar o sistema neural no lugar do que foi perdido. Desde o ponto de vista da extrava\u00e2ncia, estes sistemas poderiam ajudar a manipular rob\u00f4s \u201cavatar\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe class=\"youtube-player\" type=\"text\/html\" width=\"640\" height=\"390\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0B8Zj62LoUg?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>OsJogos deixam muito espa\u00e7o para a imagina\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o nos referimos unicamente aos da realidade virtual como por exemplo aqueles que funcionam a partir da manipula\u00e7\u00e3o de brinquedos de RC atrav\u00e9s de interfaces neurais.<\/p>\n<p>Se a capacidade de ler sinais \u00e9 aumentada devido a um processo direcional que \u00e9 retransmitido, a estimula\u00e7\u00e3o de certas partes do sistema nervoso poderia gerar um monte de oportunidades interessantes para a ind\u00fastria de jogos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel ler e escrever pensamentos?<\/strong><\/p>\n<p>Se estamos falando sobre o estado atual da tecnologia, a resposta \u00e9 sim e n\u00e3o. Os sinais que lemos n\u00e3o podem ser considerados pensamentos por si s\u00f3, por isso n\u00e3o se pode \u201cler\u201d o que outra pessoa est\u00e1 pensando.<\/p>\n<p>Esses sinais s\u00e3o apenas vest\u00edgios, impress\u00f5es da atividade do sistema nervoso, refor\u00e7adas com ru\u00eddos e entregues um segundo atrasado. O que \u00e9 lido n\u00e3o \u00e9 um neur\u00f4nio separado, \u00a0\u00e9 apenas uma mera atividade de uma determinada zona do c\u00e9rebro ou do sistema nervoso.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem estudos baseados em resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, que permitem decifrar as imagens originadas a partir de outras. As imagens n\u00e3o s\u00e3o muito claras, mas podem ser usadas para reunir o quadro geral.<\/p>\n<p>Parece ainda mais complexa se considerarmos escrever os pensamentos de algu\u00e9m. N\u00e3o existem estudos dispon\u00edveis abertamente sobre esse assunto. Mas podemos alertar com base em algumas suposi\u00e7\u00f5es. Vamos utilizar a terapia de choque el\u00e9trico como exemplo: ela pode ser usada com sucesso para apagar a mem\u00f3ria de um paciente e influenciar nas suas capacidades cognitivas. Al\u00e9m disso, a estimula\u00e7\u00e3o profunda do c\u00e9rebro \u00e9 utilizada para curar a doen\u00e7a de Parkinson.<\/p>\n<p><strong>O que h\u00e1 de\u00a0seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Por mais estranho que pare\u00e7a, este tema tem correla\u00e7\u00e3o direta com a seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sentimos que seja o momento para discutir o lado \u00e9tico do uso de interfaces neurais, s\u00f3 o tempo dir\u00e1. Mas o que devemos ter em mente \u00e9 que, como qualquer outra pe\u00e7a sofisticada da tecnologia, esses aparelhos precisam ser protegidos.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"en\" dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/DigitalHealth?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">#DigitalHealth<\/a> funding: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ChooseMuse?ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">@ChooseMuse<\/a> raises $11M for <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/WearableTech?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">#WearableTech<\/a> brain-training system <a href=\"http:\/\/t.co\/HYyU86IGd4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">http:\/\/t.co\/HYyU86IGd4<\/a> <a href=\"http:\/\/t.co\/IiRSXqPyd4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">http:\/\/t.co\/IiRSXqPyd4<\/a><\/p>\n<p>\u2014 Muse (@ChooseMuse) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ChooseMuse\/status\/593094866135023618?ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">April 28, 2015<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>Agora, quando tudo no mundo est\u00e1 conectado, se suponhe que os dispositivos neurais tamb\u00e9m deveriam estar. Exemplo? O uso da Internet para enviar os dados obtidos durante o diagn\u00f3stico, seja de um dispositivo ou do seu usu\u00e1rio. Quando existe uma conex\u00e3o, a possibilidade\u00a0de ser hackeado tamb\u00e9m existe.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o estamos falando de um futuro t\u00e3o distante, quando as interfaces neurais diretas ser\u00e3o onipresentes. Imagine que ao usar implantes para melhorar a sua capacidade de vis\u00e3o ou audi\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m usar\u00e1 spams com an\u00fancios visuais ou auditivos ou at\u00e9 mesmo transmitir informa\u00e7\u00f5es falsas para atrapalh\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ler a mente soa ainda mais assustador, deixando de lado as mem\u00f3rias de grava\u00e7\u00e3o. Hoje existe a possibilidade de ler imagens de v\u00eddeo (inclusive\u00a0com o barulho), com o qual haver\u00e1 de esperar alguns anos. O\u00a0que poderia acontecer em seguida?<\/p>\n<p>Pode soar como geek e meio delirante, mas considerando o ritmo em que a tecnologia avan\u00e7a hoje em dia, os aparelhos neurais e seus consequentes danos colaterais poderiam chegar a ser um verdadeiro problema mais cedo do que parece.<\/p>\n<p>Confira este aparelho que tenho na minha mesa de trabalho. Se algu\u00e9m do escrit\u00f3rio da Kaspersky Lab de Moscou estiver interessado, fique \u00e0 vontade para me visitar e olh\u00e1-lo com mais detalhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Juliana Costa Santos Dias<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos vivendo em uma \u00e9poca em que\u00a0as tecnologias que pareciam ser algo exclusivo da\u00a0fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e3o entrando nas nossas vidas cotidianas. 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