Sem Privacidade em Google I/O

21 maio 2013

Google Glass  esteve entre os principais temas da conferência do desenvolvedor  de buscadores I/O  em San Franciso, na semana passada. Tínhamos grandes esperanças de que Google se pronunciasse sobre as implicações de privacidade do computador facial que “vê” tudo que seu usuário vê, mas este assunto permaneceu intocável durante toda a palestra, que teve foco em “Autoscaling Java” (seja lá o que isso signifique)  para mapeamento interno. Houve apenas uma menção sobre a privacidade de Google I/O Sessions.

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Na edição 2012 de Google I/O, segurança e privacidade foram os temas da sessão “Segurança e Privacidade em Aplicativos Android”, o que parecia pouco e agora parece excelente, depois que percorremos todas as apresentações sem ver ao menos uma menção a privacidade.

Durante todo o evento a privacidade foi mencionada duas vezes: uma durante a conversa sobre Google Glass fireside  e outra numa história contada pelo alto escalão da empresa.

Como era de se esperar, a melhor discussão sobre privacidade aconteceu entre na platéia da palestra sobre Google Glass. Quando um membro da platéia perguntou ao diretor de produto de Google Glass, Steve Lee, algo a respeito da privacidade do produto amplamente promocionado, Lee menosprezou preocupações alegando que será fácil perceber se alguém está te gravando com Google Glass e que a privacidade do usuário estava entre as prioridades  do desenvolvimento do produto.

Numa atitude impressionante, o Congresso dos Estados Unidos representou a opinião pública e enviou uma carta ao CEO e co-fundador do Google, Larry Page, expressando preocupações sobre o impacto do novo produto na privacidade de seus usuários e das pessoas que o cercam, exigindo respostas a algumas  perguntas bastante sérias. A empresa deve responder estas perguntas até 14 de julho, o que nos dará uma visão muito mais clara sobre as condições de privacidade do computador espetacular.

É possível que a nova estratégia de Google seja enfraquecer, denegrir e menosprezar as informações privadas até que ninguém mais se preocupe com confidencialidade.

Seria injusto dizer que Google esconde as condições de privacidade de seus usuários só porque não debateram o tema numa conferência que tinha como obejtivo ensinar os desenvolvedores a otimizar recursos, ferramentas e gadgets de Google, para que possam fornecer aplicativos e serviços web melhores. Além disso a companhia conquistou notas altas no relatório “Who has your back” de Eletronic Frontier Foundation de 2013. De todas as maneiras, Page deu margem a muitas outras críticas à política de Google, o que significa bastante já que a empresa se esquivou de declarações sobre como maneja a informação de seus usuários por anos, o CEO e co-fundador se apresentou durante a I/O, e deu a entender que publicou algo a respeito de um problema muscular em sua conta de Google Plus porque todo mundo deveria ser menos severo com a privacidade de seu histórico médico.

Page foi corajoso ao tocar neste tema mas um milhonário famoso falae publicamente sobre situações de sua vida cotidiana é uma coisa, tornar públicos históricos médicos detalhando sintomas é outra totalmente diferente. O mundo inteiro ficou abalado quando Magic Johnson assumiu publicamente em 1991 que se aposentaria depois de contrair HIV.

É possível que Google tenha as melhores intenções com Google Glass (e Android neste caso) ou que Larry Page seja honesto quando diz querer que sejamos mais abertos com nossos hitóricos clínicos, mas também é possível que a nova estratégia de privacidade de Google seja de enfraquecer, denegrir e menosprezar as informações privadas até que ninguém mais se preocupe com o sigilo pessoal, estratégia conveniente para qualquer empresa que queira construir um império baseado em informação de usuários.

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