A ascensão dos cryptojackers

Apesar da diminuição nos valores de criptomoedas, o fenômeno do sequestro da máquina para mineração segue em alta.

O Cryptojacking é o uso sem autorização do computador de alguém para minerar criptomoedas. De forma simples, mineração maliciosa. Cibercriminosos usam uma variedade de meios escusos para instalar programas de mineração em computadores de terceiros (preferencialmente em volume), e ficar com todo o lucro da mineração de criptomoedas sem incorrer em custos com equipamentos ou eletricidade.

Se você não está familiarizado com o cryptojacking, agora é o momento perfeito para ler sobre. Eis o porquê.

O incrível crescimento do cryptojacking

Do ponto de vista lógico, você pode pensar que a queda no valor das criptomoedas levaria ao declínio da prática do cryptojacking, por haver menos lucro. Mas o oposto ocorreu. Na RSA Conference 2019, os analistas da Cisco Umbrella reportaram que o volume de tráfego corporativo de criptomoedas no mundo foi multiplicado por 200 durante o ano! Isso é resultado direto da ascensão do cryptojacking.

Provavelmente, é que durante o auge os usuários se acostumaram ao alto rendimento das criptomoedas. Mas depois que o mercado desacelerou, e utilizar equipamentos próprios deixou de ser lucrativo, alguns optaram por uma alternativa menos honesta – o cryptojacking.

Quem sofre mais no Cryptojacking?

O principal dano do cryptojacking é sentido por negócios de pequeno e médio porte – a última conta em quase um terço do tráfego de criptomoedas. Grandes empresas dividem a dor com apenas 18%, presumidamente porque têm mentalidades mais sérias sobre segurança da informação, mesmo que a PMEs tenha uma atitude mais relaxada.

A distribuição do tráfego da criptomineração por indústria é interessante: em primeiro lugar está o setor energético (34%), seguido pelo de educação (26%) e saúde (7%).

Dados da Cisco Umbrella indicam que o principal alvo dos cryptojackers foi a América do Norte: os EUA computam 62% do tráfego de criptomoedas, com outros 2% advindos do Canadá. Europa, Oriente Médio e África estão na segunda posição, com modestos 6%. A maior surpresa é a África do Sul com 2% do tráfego de criptomoedas, o suficiente para ficar em terceiro lugar.

Como se proteger contra cryptojacking

Nunca subestime o dano que o cryptojacking pode causar. Claro, a mineração maliciosa é bem menos destrutiva que os ransomware. Porém as perdas são diretas – vítimas têm de pagar pelo poder computacional e eletricidade, que podem traduzir-se em somas consideráveis.

Além disso, o simples fato dos computadores da sua empresa estarem executando uma atividade ilegal não é uma boa notícia, e já significa que sua TI possui vulnerabilidades. Hoje, são exploradas por cryptojacking, mas quando o negócio se torna menos lucrativo, serão direcionadas a outros propósitos.

  • Use soluções de segurança confiáveis, preferivelmente desenvolvidas com tecnologias contra cryptojacking.
  • Também instale um software de proteção antivírus em dispositivos embutidos (telas pública, terminais, etc.) e habilite o modo de Negação Padrão sempre que possível.
  • Monitoramento de tráfego: as consultas frequentes em domínios de grupos de criptomoedas são um claro sinal que alguém está minerando as suas custas. Idealmente, adicione esses domínios a lista de bloqueados em todos os computadores de sua rede – listas desses domínios podem ser encontradas online. Novos domínios aparecem constantemente, então tenha certeza de atualizá-las sistematicamente.
  • Investigue imediatamente qualquer crescimento anormal das necessidades de uso de processamento para plataformas de computação de nuvem como a Amazon EC, Microsoft Azure, e outros.
Dicas