Por que Facebook e Google querem levar a Internet ao mundo todo?

3 ago 2016

Semana passada, o Facebook postou um video do voo inaugural de seu drone movido a energia solar, o Aquila. A aeronave foi projetada com o desenho do tipo asa voadora, com envergadura próxima a de um Boeing 737, coberto por painéis solares.

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Além dos painéis solares, o drone é equipado com baterias que funcionam como fonte de energia durante a noite. Pilares apoiam quatro motores elétricos responsáveis pela rotação das hélices. Um computador de bordo é responsável pela navegação da aeronave por uma rota definida e pelas comunicações com o solo.

Para favorecer a leveza do drone, ele não possui rodas para decolar ou pousar, usa apenas uma plataforma especial com rodas empurradas por um veículo. No fim, é incapaz de transportar carga ou passageiros.

Uma das suas características dignas de nota é a capacidade de voar por longos períodos sem pousar. Durante o voo de teste, o Aquila não precisou pousar por mais de duas semanas. Os projetistas afirmaram que ele seria capaz de se manter no ar por meses, pousando apenas para manutenções ocasionais.

Do ponto de vista técnico, o drone é bem simples. Ele flutua principalmente por ventos, como um planador sem motor. A disponibilidade solar é mais do que suficiente para manter o drone carregado constantemente.

O excesso de energia é utilizado para alimentar itens como sensores meteorológicos ou uma câmera. Contudo, o propósito principal do Aquila é servir como um satélite que forneça conectividade para territórios rurais remotos sem qualquer cobertura de rede. O drone é conectado à rede, outros dispositivos e drones por meio de um laser aéreo, o que aumenta efetivamente a abordagem de se portar como um transmissor, um canal para a estação mais próxima em terra.

A diferença entre esse drone e um satélite está na altitude: normalmente estes estão centenas de quilômetros acima da superfície. O drone do Facebook flutua a apenas alguns quilômetros. Isso significa que as taxas de transferência de dados são maiores e custam menos. De modo simples, o uso de satélites para fornecer conexão para locais remotos é como quebrar uma noz com uma marreta, já que a conexão é necessária para vilarejos pontuais e não para a bacia amazônica ou o continente sul-americano inteiro.

Menciona-se ainda o Projeto Loon do Google, que essencialmente posiciona estações base no ar em balões. Como os drones do Facebook, eles conectam assinantes por meio de conexões por rádio. Os balões possuem menos mobilidade, pois são estáticos em relação ao solo. Essa ausência de movimento é atingida por meio de manobras pelos ventos e inflação e deflação do balão para ajustes de altitude.

O posicionamento é trabalho de um computador de bordo que obtém dados relevantes de outros balões no ar. Isso significa que o sistema está ciente desses dados e os utiliza para assegurar que o balão sempre esteja posicionado em uma zona atmosférica específica. O que precisamos entender é que a estação base não precisa mais ser estática, afinal você consegue acessar tanto redes mobile quanto WiFi em movimento. Se a distância não passar de vários quilômetros, até uma aeronave ou balão poderiam detectar uma antena com pouca cobertura. Os testes com os balões do Google ocorreram em 2015 e demonstraram que o dispositivo conseguiria se manter no ar por 100 dias a uma altitude de 18 km.

Contudo, uma questão permanece: porque empresas de internet e não operadoras estão lidando com isso? Afinal, é trabalho das operadoras fornecer cobertura de rede. A verdade é que em países desenvolvidos a conexão de internet é absoluta, mas o mesmo não acontece em áreas rurais, principalmente em países em desenvolvimento que carregam déficits de infraestrutura dramáticos, como falta de eletricidade. Baterias a diesel podem ser utilizadas, mas isso não garante disponibilidade de energia elétrica de forma contínua.

Não é preciso dizer que a população em locais assim é pobre, e nenhuma operadora investiria em estrutura de rede, já que muito provavelmente esse investimento não teria retorno garantido.

Já o Facebook e o Google precisam dessas pessoas. As empresas apenas conseguem crescer obtendo novos usuários e fazendo novas conexões. Então, já que usuários de regiões com disponibilidade de internet já fazem parte do sistema, novos usuários devem começar a se envolver e se tornar novos consumidores de propaganda online -principal forma de lucro dessas empresas.

É claro que as pessoas nesses contextos de fragilidade econômica não possuem os meios para pagar uma assinatura de internet. Mas elas não terão, assim como no sinal de TV gratuita. Canais abertos de TV lucram promovendo produtos, serviços, pessoas e ideias, os quais trazem retorno do capital investido em infraestrutura de transmissão e criação de conteúdo.

Imagine ainda a quantidade de dados gerados por esses bilhões de pessoas a partir do momento em que esses novos usuários começassem a usar mídias sociais e mecanismos de busca! Essencialmente, o objetivo por trás disso tudo é dominar o mundo.