O telégrafo, a invenção que deu início à era da informação

17 jun 2015

Cada vez que falamos sobre a grande revolução associada à transmissão de dados e os princípios de segurança da informação foi provocada pela Internet, é vital ter em conta o seguinte: houve revoluções anteriores, que eram comparáveis ​​aos da Internet em termos de magnitude. Há quem, neste contexto, façam referência à imprensa escrita, enquanto que os outros se referem ao rádio ou à TV.

No entanto, seria muito mais justo dar ao telégrafo o lugar que ele merece. Foi a primeira tecnologia que permitiu a transmissão de dados de forma instantânea, enquanto que o telégrafo elétrico foi o primeiro a empregar sinais elétricos para tais fins.

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Hoje pode parecer estranho, mas a capacidade de acelerar a transmissão de dados de forma radical não foi apreciada imediatamente. As empresas telegráficas tiveram que investir muito tempo e esforço a fim de provar o verdadeiro valor desta tecnologia.

Então, quais são as questões de segurança da informação que as pessoas tiveram que enfrentar durante a idade de ouro do telégrafo? Quais foram os fenômenos do telégrafo ajudaram a criar naquela época? E qual desses siguem vigentes hoje em dia?

1. Um provedor de comunicação e vigilância governamental

As mensagens já não pertenciam exclusivamente às cópias impressas. Os conteúdos se tornaram el algo efêmero: depois de tudo, não se pode colocar sinais no bolso. Mas, ao mesmo tempo foi possível registrar fisicamente em ambos os lados do fio, como os relatórios de entrega e de formas de mensagens.

 

Foi então quando a nova exigência, tão bem conhecida por todos graças a sistemas como SORM ou PRISM, surgiram: alguns países obrigaram as empresas telegráficas a manterem o histórico das mensagens

Além disso, falando do telégrafo como um serviço comercial, foi então quando surgiu um “provedor de comunicação” (que teve acesso às comunicações dos clientes). É claro que, antes do telégrafo, existia o correio que poderia acessar as mensagens dos clientes, mas os carteiros não tinham que ler os conteúdos para funcionar. Em troca, com a aparição do telégrafo, a “intercepção”das mensagens era essencial.

Foi então quando a nova exigência, tão bem conhecida por todos graças a sistemas como SORM ou PRISM, surgiram: alguns países obrigaram as empresas telegráficas a manterem o histórico das mensagens com o objetivo de que a polícia pudesse examiná-los quando fosse necessário diante de uma investigação.

 

2. Intercepção e esteganografia

Se o processo de interceptar clandestinamente uma carta escrita sem deixar qualquer vestígio era necessário uma grande dose de habilidades, os cabos telegráficos foram inicialmente expostos a intercepção clandestina. Nos primeiros tempos do telégrafo, os governos proibiram a criptografia, o qual potenciou o desenvolvimento da esteganografia, uma forma de codificar mensagens em um texto de aparência inocente.

Tais mensagens usavam sinais avançados (como por exemplo “Senhor, sua bagagem e casaco escocês de tecido tartã esperam por você na estação”, onde “tartã” representava o nome do cavalo que ganhou o derby em 1840), assim como os esquemas muito mais sofisticados.

Por exemplo, nos tempos do telégrafo de semáforos, houve um caso em que um grupo de banqueiros subornou um telegrafista para deixar que certos erros permanecessem no texto, a fim de transmitir mensagens codificadas sobre as tendências na bolsa de valores.

O que aconteceu? Os banqueiros em questão vigiaram um semáforo telégrafo em Paris – em Toulouse – para obter a informação importante, de forma criptografada e completamente sem fio. Eram bons tempos aqueles, e a ideia parecia bastante simples.

3. Polícia vs Hackers: uma corrida armamentista 

Hoje em dia, existe uma grande quantidade de histórias sobre hackers que exploraram com êxito as vulnerabilidades menos prováveis ​​ou, vice-versa, em relação a criminosos que se descuidam e não conseguem se livrar dos rastros das “impressões digitais”, com as quais eventualmente são pegos.

Com o telégrafo, as pessoas tiveram que se adaptar à seguinte realidade: qualquer mensagem poderia ser entregue à distância e de forma imediata. A história sobre a tela escocesa “tartã”é um caso fascinante, não só pela ccriptografia utilizada pelos interlocutores; os da casa de apostas nem sequer consideram a probabilidade de que a transmissão de dados do telégrafo fosse tão rápida.

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Muito semelhante à realidade de hoje, a nova tecnologia favoreceu tanto os fraudadores quanto à polícia. Um dos casos que mais impressionoy os governadores e os motivou a aprovar o uso em grande escala do telégrafo esteve associado com uma simples captura de um ladrão de trens.

Foi absolutamente elegante: o ladrão foi pego na próxima estação ao longo da pista, no mesmo tempo que a mensagem era transmitida através do telégrafo. Antes disso, não havia nenhuma maneira de que a polícia ou a administração da estação de trem pudesse enviar uma mensagem mais rápido do que a velocidade do trem.

 

4. O código binário 

Depois de muitas idas e voltas, o telégrafo empregou de maneira importante o código Morse que foi baseado na utilização de sinais curtos e longos (pontos e traços) para codificar as letras e números. Em essência, eram os “uns” e “zeros” daqueles tempos.

No entanto, o código Morse não foi baseado no sistema binário e não sobreviveu à migração da comunicação analógica à digital. Ainda assim, foi o código Morse que fundou os princípios do uso de sinais simples e facilmente distinguíveis para codificar mensagens.

Foi o suficiente para compreender as propriedades, capacidades e a lógica do sistema binário para entender os princípios da computação de hoje.

 

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5. Retenção de mensagens

De volta a 1870, quando o governo perdeu o controle sobre a criptografia, surgiram os chamados “sistemas de cifras comerciais”. Na verdade, eles não eram apenas glossários contendo palavras de código para o transporte de certas combinações ou até mesmo frases.

Tais cifras foram elaboradas por certas organizações ou empresas que queriam atender às suas próprias necessidades de comunicação (​​e que elas foram vendidos para uso público). Elas não garantem qualquer proteção se o objetivo não for cumprido, mas ajudou a tornar as mensagens um pouco menos explícitas e limitar a sua exposição a outros.

Mas desde que as palavras em código representavam uma combinação aleatória de letras, os telegrafistas muitas vezes cometiam erros. Já em 1887, um homem tinha enviado uma mensagem ao seu parceiro de negócios: “comprei todos os tipos de lã, gastei 50 mil libras, o qual foi codificado como “BAHIA TODO TIPO QUO”. O telegrafista cometeu um erro sem querer substituindo uma letra, o qual fez com que a mensagem “seja lida como “COMPRAR TODOS OS TIPOS QUO”, o que foi interpretado como “compra todo tipo de lã por 50 mil libras”.

 

Quando esse erro foi descoberto, os parceiros tiveram que vender rapidamente o excedente; o mercado finalmente caiu e as empresas perderam muito dinheiro. As suas tentativas de processar a empresa de telégrafo foi em vão. O único custo que eles foram capazes de recuperar foi o custo do próprio telegrama. Tentando encontrar o responsável, eles levaram o caso à Suprema Corte.

Com o objetivo de encontrar a mensagem para tais erros, uma soma de verificação é usado para verificar se dois arquivos coincidem. Naqueles tempos, as empresas telegráficas cobravam extra pelo serviço de verificar se a mensagem enviada e recebida coincidiam.

A última empresa de telégrafo que empregava o sistema de infraestrutura tradicional “elétrica” foi BSNL da Índia; que encerrou suas operações em 2013. A estadunidense Western Union parou de enviar telegramas inclusive antes disso. O telégrafo deixou de ser a chave na infraestrutura da comunicação crítica faz muito tempo.

No entanto, o seu papel anterior e lições ensinadas merecem reverência. Tom Standage, cujo livro “The Victorian Internet” usamos para preparar este material é um clássico que vale a pena ler.

Tradução: Juliana Costa Santos Dias