Em 15 de setembro deste ano, o Google publicou detalhes dos patches para 110 vulnerabilidades em seus próprios smartphones Google Pixel. Entre todas as falhas divulgadas, a CVE-2026-58704 é a que mais se destaca, pois parece que essa vulnerabilidade de dia zero está sendo explorada em ataques direcionados.
Na publicação de hoje, falamos sobre o que há de especial no Google Pixel e por que esses dispositivos recebem atualizações de segurança próprias, separadas das atualizações regulares do Android. Também abordamos as vulnerabilidades corrigidas nesta atualização mais recente, com foco especial na mencionada vulnerabilidade mais perigosa, a CVE-2026-58704, e encerramos com dicas sobre como proteger seu dispositivo e evitar ser vítima de um ciberataque.
Por que os smartphones Google Pixel recebem atualizações de segurança separadas das do Android?
O leitor pode se perguntar, com razão: já instalei as atualizações de segurança do Android deste mês no meu Google Pixel. Não é a mesma coisa? O Google Pixel usa o Android e recebe essas atualizações de segurança, detalhadas no Boletim de segurança do Android mensal. No entanto, os fabricantes de dispositivos baseados em Android usam diferentes conjuntos de componentes de hardware e software. Por isso, além das vulnerabilidades comuns a todos os dispositivos Android, existem problemas de segurança específicos dos dispositivos de cada fabricante.
Para seus próprios smartphones, o Google publica atualizações de segurança separadas, abordadas em um Boletim de atualização do Pixel específico. Em vez de substituir o Boletim de segurança do Android, esse documento o complementa, detalhando as vulnerabilidades específicas dos dispositivos fabricados pelo Google. Outros smartphones Android também recebem atualizações semelhantes de seus fabricantes.
O Boletim de atualização do Pixel de setembro de 2026 mostra claramente por que o Google precisa de atualizações separadas para seus smartphones. Muitas das vulnerabilidades corrigidas afetam componentes específicos do hardware do Pixel (ou relacionados ao hardware): o modem, o bootloader, a GPU, componentes do leitor de identificação digital e outras partes do dispositivo. Em smartphones de outros fabricantes, esses recursos podem depender de componentes de hardware e software completamente diferentes, portanto, as correções listadas no Boletim de atualização do Pixel não se aplicam a esses telefones.
Dito isso, essas vulnerabilidades ainda podem ser relevantes para proprietários de Pixel que instalaram ROMs personalizadas em seus dispositivos. Mudar para um sistema operacional diferente não altera os componentes de hardware do dispositivo e pode não substituir o firmware. Portanto, as próprias vulnerabilidades podem persistir, mas a disponibilidade dos patches e a forma como eles são instalados dependem do sistema operacional específico.
CVE-2026-58704: uma vulnerabilidade de dia zero sendo ativamente explorada
Agora vamos analisar mais de perto as vulnerabilidades específicas corrigidas pelo Google em setembro. A mais significativa é a já mencionada CVE-2026-58704.
Essa vulnerabilidade afeta o componente Cellular Modem, que gerencia a comunicação do smartphone com as redes celulares. Ela decorre de um erro lógico no código que, sob determinadas condições, permite contornar a verificação de permissões prevista.
A exploração bem-sucedida da CVE-2026-58704 permite que invasores elevem os privilégios no smartphone para obter acesso mais amplo às suas funções e dados. Observe que o ataque ocorre por meio de uma rede celular e que, inicialmente, os agentes de ameaça precisam ter privilégios de baixo nível no dispositivo-alvo.
Na prática, isso significa que os invasores não podem explorar a CVE-2026-58704 para atacar um Pixel de qualquer lugar pela Internet, pois aparentemente precisariam comprometer a rede celular à qual o smartphone-alvo já está conectado ou, mais provavelmente, forçá-lo a se conectar a uma estação rádio-base maliciosa sob seu controle.
O Google ainda não divulgou todos os detalhes dessa vulnerabilidade, e o relatório relacionado não está disponível publicamente. Como resultado, os detalhes técnicos que mostrariam a facilidade com que os invasores podem explorar a CVE-2026-58704 permanecem desconhecidos até que os patches sejam instalados em todos os dispositivos.
Ainda assim, o Google afirma haver sinais de exploração limitada da CVE-2026-58704.
O que sabemos sobre as outras 109 vulnerabilidades
Das 109 vulnerabilidades restantes encontradas nos dispositivos Google Pixel, apenas uma é classificada como moderada; as demais são de gravidade alta (62) ou crítica (46). Nove dessas falhas pertencem à categoria RCE (execução remota de código). Isso significa que, se um invasor explorar uma dessas vulnerabilidades com sucesso, poderá fazer com que o dispositivo execute código malicioso remotamente. As condições exatas para o ataque dependem da vulnerabilidade específica.
Outras 88 vulnerabilidades pertencem à categoria de elevação de privilégios (EoP). Elas permitem que um invasor que já tenha obtido determinado nível de acesso ao dispositivo amplie seus privilégios. A vulnerabilidade CVE-2026-58704 mencionada acima pertence a essa mesma categoria, motivo pelo qual o boletim de setembro lista 89 vulnerabilidades de EoP no total.
Por fim, 10 vulnerabilidades podem levar à divulgação de informações (ID) e outras duas à negação de serviço (DoS). Em resumo, é uma lista considerável de falhas, portanto, os proprietários de Google Pixel não devem esperar para instalar os patches.
Como evitar ser vítima
Os proprietários de Google Pixel podem instalar a atualização que corrige as vulnerabilidades abordadas nesta publicação seguindo este caminho: Settings (Configurações) → Security & privacy (Segurança e privacidade) → System & updates (Sistema e atualizações) → Security update (Atualizações de segurança) → Install (Instalar). Lembre-se de que o telefone será reiniciado automaticamente para concluir a instalação da atualização.
Para manter seu telefone seguro, recomendamos as seguintes medidas gerais:
- Instale as atualizações de segurança no telefone regularmente e assim que estiverem disponíveis, seja ele um Google Pixel, um smartphone Android de outro fabricante ou até mesmo um iPhone.
- Evite instalar aplicativos de fontes duvidosas.
- Leia as avaliações antes de instalar aplicativos de lojas oficiais, pois malware também não é raro por lá. Os usuários que já tiveram uma experiência ruim costumam alertar sobre isso nas avaliações muito antes de os moderadores da loja removerem o aplicativo perigoso.
- Instale uma solução de segurança confiável para evitar o download de malware e receber alertas sobre atividades suspeitas no seu dispositivo.
vulnerabilidades
Dicas