Como funciona o eSIM?

13 fev 2019

Quando uma tecnologia fica esquecida durante anos e depois passa a ser adotada pela Apple, é fácil observar que o assunto estará estampado nas principais manchetes. Há quase três anos, escrevemos sobre o primeiro relógio inteligente que tinha suporte a então desconhecida tecnologia eSIM, mas se tornou popular somente recentemente, devido aos iPhone XR, XS e XS Max que permitem usá-la, adicionando um SIM virtual junto a um cartão SIM físico.

Como funciona e quais são as vantagens? Vamos analisar!

A evolução do cartão SIM

Os primeiros celulares não tinham cartões SIM. Em vez disso, eram programados por uma operadora, por meio de uma “conta de usuário”, com identificação de rede armazenada na memória do dispositivo. Os cartões SIM, no padrão GSM, foram desenvolvidos em 1991, e permitiam que os assinantes usassem seus telefones em quaisquer redes e conta de operadora (ou seja, número de celular) em qualquer dispositivo, bastava simplesmente inserir um pedaço de plástico com um microchip em seus aparelhos.

Enquanto os telefones e modems eram os únicos dispositivos conectados à rede, todos estavam satisfeitos com esse acordo. Com o passar dos anos, a única mudança identificada nos cartões SIM foi que ficaram cada vez menores: o mini-SIM (aquele de tamanho “normal”) foi substituído pelo micro-SIM e, por fim, pelo nano-SIM. Percebido como o limite dessa redução: o nano-SIM é apenas o microchip sem um único milímetro de plástico sobrando.

Agora que a Internet das Coisas chegou, com seus sensores, relógios inteligentes e outros dispositivos ainda menores, um compartimento de nano-SIM tornou-se um luxo inadmissível. Até o surgimento do eSIM, um cartão SIM integrado.

A primeira vista, parece ser o retorno aos telefones programáveis. No entanto, este microchip revolucionário (de aproximadamente 5×6 mm, uma fração do tamanho de um nano-SIM) não só armazena dados de assinatura, como também pode ter seu download feito de forma remota.

Em termos práticos, isso significa que não há necessidade de inserir manualmente cartões SIM em dezenas de milhares de sensores de estacionamento ou módulos de controle de iluminação pública, ou reordenar um lote inteiro de cartões ao mudar de operadora.

As comunicações móveis ficaram ainda mais móveis

Acontece que a tecnologia eSIM é ótima não apenas para dispositivos inteligentes, mas também para vender cartões SIM para telefones remotamente. As operadoras economizam dinheiro em pacotes iniciais, aluguéis de espaço de varejo, taxas de distribuidores e assim por diante, e o público consumidor economiza tempo e esforço por não ter que ir a uma loja ou esperar que um pacote inicial seja entregue.

Também é perfeito para viajantes que procuram evitar tarifas de roaming. Adquirir o plano certo online e fazer o download direto para o seu celular é muito mais simples do que comprar em uma loja no exterior, especialmente se você não fala o idioma do país de destino.

Quais as limitações da transição para o eSIM?

Na verdade, a tecnologia eSIM tem vantagens e desvantagens, pelo menos para as operadoras.

Claro que isso simplifica a venda de serviços, mas também facilita a migração dos clientes para as concorrentes. Atualmente, existe certo atraso entre encomendar um novo cartão SIM e recebê-lo. Com um eSIM, você pode obter um código de ativação muito mais rápido, facilitando a portabilidade. Porém, as operadoras certamente não querem que você as deixe com tanta facilidade.

Além disso, na maioria dos países ocidentais, os smartphones são concedidos por meio de contrato, o que significa que estão vinculados à operadora que os vendeu e funcionam apenas com cartões SIM dessa operadora. O que a Apple está fazendo é reformulando a lógica de funcionamento do mercado, ao entregar a iniciativa aos fabricantes de dispositivos e estimular as operadoras a desenvolverem vendas online.

Quando não há eSIM – mesmo em um iPhone

Não são apenas as operadoras que estão resistindo à disseminação do eSIM, os órgãos de controle também. Em alguns países, a lei exige que o ID do SIM (que somente os SIMs físicos têm) seja especificado no contrato. Nesses países, as operadoras são obrigadas a realizar verificações de identidade com base nos passaporte dos assinantes, mas em teoria, esse problema pode ser resolvido facilmente. Por exemplo, os usuários podem se registrar utilizando uma selfie, assegurando sua identificação pessoal. (É verdade que, como acontece com a maioria dos dados pessoais roubados, essas fotos acabarão sendo vendidas na darknet).

Moradores da China continental, um dos maiores mercados da Apple, também não terão a chance de experimentar a tecnologia eSIM por enquanto. De acordo com informações divulgadas no site da Apple, em vez de um iPhone com um eSIM virtual, serão vendidos na China os modelos com dois compartimentos de nano-SIM. Da mesma forma, os novos dispositivos em Hong Kong e Macau serão Dual SIM com cartões físicos. Na verdade, o eSIM também estará disponível, mas apenas nos smartphones iPhone XS.

Quais operadoras aderiram ao eSIM?

Até o momento, o eSIM para iPhone é fornecido por operadoras de celular na maioria dos países europeus, além do Canadá, Catar, Singapura, Taiwan, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Índia, Kuwait e EUA.

Os cartões SIM “turísticos” também podem ser adquiridos nas operadoras internacionais Truphone e GigSky. Para muitos, os SIMs de viagem são, na verdade, a única maneira de experimentar o eSIM em um futuro próximo. Nos poucos países em que as operadoras aderiram a funcionalidade, esses serviços estão disponíveis apenas para residentes locais e não em telefones bloqueados (ou seja, aqueles vinculados a uma determinada operadora).

Como acessar a rede móvel usando o eSIM?

Conectar um cartão SIM virtual não é complicado. Tudo o que precisar ser feito é digitalizar um QR code gerado pela operadora ou inserir manualmente os seguintes parâmetros: SM-DP+ (Subscription Manager Data Preparation), endereço do servidor e código de ativação. A operadora irá fornecê-los.

O servidor SM-DP + é o local em que os perfis de assinantes são gerados e o programa LPA (Local Profile Assistant) é o responsável por solicitar o perfil no dispositivo e o carregar no eUICC (Universal Integrated Circuit Card embedado) — o microchip, no qual esse perfil é posteriormente armazenado de forma criptografada. O eUICC também é usado para autorização de rede.

Ele também pode hospedar vários perfis SIM simultaneamente, com uma capacidade de memória de 512 KB versus 64 ou 128 KB em SIMs tradicionais. Isso permite que os usuários alternem entre os cartões SIM virtuais. No novo iPhone, isso pode ser acessado em Ajustes -> Celular -> Adicionar Plano Celular.

Achamos que se você tem o novo iPhone, deveria tentar. No Brasil, essa tecnologia era disponibilizada por apenas uma operadora para o Apple Watch, porém não há muitas informações para novos usuários que queiram aderir ao Dual SIM virtual. De qualquer forma, você poderá comprar um cartão eSIM quando estiver no exterior.