Empresa de cibersegurança alerta que as táticas podem representar um risco para a América Latina, onde o grupo Lazarus já tem histórico de atuação; descobertas foram apresentadas pela Equipe Global de Pesquisa e Análise (GReAT) da Kaspersky durante o Security Analyst Summit, em Bali, na Indonésia
Currículos falsos, perfis profissionais enganosos e fotografias criadas com inteligência artificial (IA) estão sendo usados por cibercriminosos para infiltrar empresas e roubar informações. A Kaspersky identificou uma nova campanha de ciberespionagem chamada Operação FlashHole, atribuída ao Lazarus, um grupo avançado de ameaça persistente (APT) conhecido por realizar ataques sofisticados de computador contra organizações ao redor do mundo. Nessa operação, os cibercriminosos também exploraram uma possível vulnerabilidade em software legítimo para iniciar a infecção de computadores associado com técnicas avançadas para comprometer os sistemas das vítimas e evitar a detecção. Veja abaixo mais detalhes e como se proteger.
A nova campanha, ativa desde pelo menos julho de 2025, afetou até o momento organizações de diferentes setores na Ásia. No entanto, especialistas da Kaspersky alertam que as técnicas identificadas têm potencial de serem utilizadas contra empresas latinoamericanas, pois utilizam ferramentas do dia a dia, como e-mails, sites profissionais e serviços em nuvem, somado com o fato do grupo Lazarus já possuir histórico de atividades maliciosas na região. Isso reforça a importância de as organizações estarem atentas a essas ameaças e fortalecerem suas medidas de proteção.
Uma das principais características dessa operação é o uso de inteligência artificial para tornar os golpes mais críveis. Os criminosos criaram sites que simulavam portfólios profissionais e currículos de supostos candidatos a emprego. Eles chegaram a usar fotografias geradas por IA para dar a aparência de autenticidade aos perfis falsos. Os pesquisadores também acreditam que essa tecnologia poderia ter sido usada para adaptar os sites fraudulentos aos perfis das vítimas.
Esses sites falsos eram enviados às vítimas por e-mails altamente personalizados, uma tática projetada para ganhar confiança e forçar o clique. No entanto, o sucesso do golpe não dependia apenas da persuasão. A investigação revelou que a invasão explorava uma provável falha no CrossWeb EX, um software legítimo de segurança muito usado na Ásia. Basta visitar a página fraudulenta para ativar essa brecha e iniciar a instalação oculta de programas nocivos no computador. É um exemplo claro de como cibercriminosos conseguem usar ferramentas confiáveis para burlar as defesas da empresa sem levantar suspeitas.
Durante a análise, os especialistas também identificaram duas ferramentas de ataque inéditas, chamadas de TouchHub e ClientHub. Elas funcionam como uma porta dos fundos para que os invasores controlem os dispositivos comprometidos, instalem novas ameaças e mantenham a comunicação necessária para suas atividades de ciberespionagem. O nível de disfarce é tamanho que uma das variantes usava o próprio Dropbox (um serviço legítimo de armazenamento) para camuflar suas operações de roubo de dados.
O detalhe que mais chamou a atenção da equipe, no entanto, foi o uso de criptografia pós-quântica pelo grupo Lazarus. Trata-se de uma blindagem matemática extremamente avançada, criada para proteger informações de forma que até mesmo os futuros computadores quânticos, que resolverão problemas muito mais rápido que os atuais, tenham extrema dificuldade em decifrá-las.
"O grupo Lazarus continua expandindo suas operações, lançando novas campanhas e incorporando novas ferramentas, enquanto modifica as já conhecidas para atender às suas necessidades. Nossa análise da Operação FlashHole, juntamente com evidências de pesquisas anteriores, sugere que o grupo também está incorporando inteligência artificial em suas táticas usuais, uma mudança que observamos em outros atores de ameaça ligados ao Lazarus. O que merece atenção especial é a adoção, pelo Lazarus, da criptografia projetada para resistir a futuras ameaças quânticas. Nossas descobertas nos permitem rastrear seu uso até pelo menos setembro de 2024, demonstrando que essas capacidades já protegiam as comunicações contra o malware do grupo mais de um ano antes dessa divulgação", diz Sojun Ryu, pesquisador sênior de segurança da equipe GReAT da Kaspersky.
Para empresas na América Latina, essa descoberta demonstra como grupos de ciberespionagem estão combinando técnicas tradicionais de fraude com novas tecnologias para tornar seus ataques mais sofisticados. A possibilidade de usar inteligência artificial para criar identidades falsas e serviços digitais legítimos para ocultar atividades maliciosas reforça a necessidade de adotar medidas de prevenção que vão além da identificação de e-mails suspeitos.
Para reduzir o risco de ataques semelhantes, especialistas da Kaspersky recomendam:
- Fique atento a links e perfis profissionais inesperados. Verifique a autenticidade dos e-mails, currículos e portfólios recebidos, especialmente quando contêm links para sites desconhecidos. Também é importante treinar os funcionários para reconhecerem tentativas de phishing direcionadas.
- Mantenha sistemas e programas atualizados. Instale correções de segurança em tempo hábil e revise as vulnerabilidades dos aplicativos usados pela empresa para evitar que sejam explorados por criminosos.
- Controle o acesso e monitore os serviços em nuvem. Limite as permissões dos funcionários com base em seus papéis e monitore conexões incomuns com plataformas que possam ser usadas para ocultar comunicações maliciosas.
- Implemente soluções avançadas de proteção. Tecnologias como Kaspersky Next possibilitam a detecção de ameaças em tempo real, atividades suspeitas e resposta a incidentes usando recursos EDR e XDR, adaptados às necessidades de organizações de diferentes tamanhos.
- Fortaleça a detecção e a resposta a incidentes. Serviços como Kaspersky Managed Detection and Response (MDR), Compromise Assessment e Incident Response ajudam a identificar atividades maliciosas, investigar ataques e conter ameaças, mesmo quando as empresas não possuem equipes especializadas em cibersegurança.
- Mantenha-se informado sobre ameaças emergentes. Soluções como Kaspersky Threat Intelligence fornecem insights sobre táticas, ferramentas e comportamentos dos cibercriminosos, ajudando as organizações a antecipar riscos e fortalecer suas defesas.
Para saber mais sobre a Operação FlashHole, confira a investigação completa no Securelist.
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