Exterminador do Futuro 6/3: Sarah Connor e o saco de batatas fritas

Em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Sarah Connor protege seu celular em um saco vazio de batatas fritas, esperando não ser rastreada. Será possível?

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio está nos cinemas do mundo inteiro. Os criadores do filme decidiram não colocar uma sequência numérica, mas é o sexto filme da franquia e desconsidera completamente a trama dos últimos três, então vamos chamá-lo de Exterminador do Futuro 6/3. Em termos práticos de segurança da informação, ele só contém um momento realmente interessante: quando Sarah Connor, compreensivelmente paranoica, tenta evitar o rastreamento de um celular.

O ponto é que Sarah, que tem problemas com autoridades de diversos estados norte-americanos (todos os 50 para ser preciso) leva seu telefone em um saco vazio de batatas fritas. Sua justificativa para isso é que o papel supostamente bloqueia o sinal de GPS do telefone. Mas isso é possível? Decidimos testar.

Como o rastreamento de celulares realmente funciona

Discutiremos mais na frente sobre os resultados de nosso experimento com sacos de batatas fritas, mas primeiro vamos entender como o rastreamento de telefones celulares funciona. Para quem sofre de paranoia aguda, a primeira coisa a se perceber é que, quanto mais simples o seu dispositivo, mais tranquilo você vai estar. A melhor aposta de Sarah Connor seria usar um telefone antigo, sem GPS ou Wi-Fi (e, de preferência, sem transferência de pacotes de dados, também conhecida como GPRS).

Os smartphones modernos determinam sua localização de várias formas: pelos sinais de satélite GPS, pelas torres de celular mais próximas e pelos pontos de acesso Wi-Fi. Quanto mais tecnologias ativadas, mais precisas são as coordenadas.

O GPS em si não é algo para ter medo – ele permite que o telefone receba o sinal para determinar onde está, mas não transmite nenhuma informação. As torres de celular também podem obter a localização de um telefone, mas não com grande precisão. Coordenadas GPS específicas podem ser transmitidas para o mundo pelo sistema operacional do dispositivo ou por vários aplicativos, mas para isso é necessário acesso à Internet. Então, basicamente, para se esconder do rastreamento você não precisa atacar o GPS em si, mas focar a rede de celular e o Wi-Fi.

Voltando ao saco de batatas fritas, não se pode dizer que Sarah Connor inventou a roda, mas sim fez uma reinvenção. O truque é baseado no princípio da gaiola de Faraday, demonstrado pela primeira vez há 183 anos. Em tese, ele deveria bloquear todos os sinais sem fio: Wi-Fi, GPS e celular.

Aliás, mesmo o uso de um saco de batatas fritas como uma gaiola de Faraday não é novidade: mais de 20 anos atrás, o personagem de Gene Hackman em Inimigo do Estado adotou a mesma técnica. Mas as tecnologias de comunicação estão sempre melhorando, e com o alumínio ficando mais caro, ninguém sabe se as embalagens de hoje podem efetivamente bloquear os sinais de rádio dos padrões atuais. É por isso que decidimos testar o método de Sarah Connor.

Experimento: um saco de batatas fritas pode evitar o rastreamento?

Como ferramenta de teste, usamos o Kaspersky Safe Kids. Este aplicativo pode fornecer a localização precisa de uma criança e determinar se a rede celular, GPS e Wi-Fi estão funcionando no telefone.

Instalamos o aplicativo no dispositivo de teste no modo infantil, ativamos o acesso à Internet via 4G e fizemos uma caminhada pelo escritório. Antes, compramos (e comemos) vários sacos de batatas fritas, além de duas caixas de biscoitos de diferentes formatos. Tentamos então usar os pacotes para bloquear o sinal.

Primeiro conselho, não se preocupe com as latas de biscoitos. É muito difícil prever qual será eficaz: algumas bloquearam efetivamente o sinal, mas outras desativaram apenas os satélites GPS, e somente em ambientes fechados, onde o sinal é fraco de qualquer forma.

Os sacos de batatas fritas foram mais promissores – embora não desde o início do teste. Primeiro, colocamos o dispositivo em uma das embalagens e confirmamos que não tinha nenhum efeito. As coordenadas foram determinadas com precisão de apenas alguns metros. Então, inicialmente, estávamos preocupados com a segurança de Sarah. Mas então tivemos a ideia de criar proteção em várias camadas com dois sacos de chips. E descobrimos que a blindagem dupla impedia o telefone de receber e transmitir sinais!

Para ter certeza, testamos várias embalagens feitas por diferentes fabricantes. O resultado foi o mesmo: dois sacos funcionam, apenas um pacote não. Talvez o saco usado por Sarah tenha sido feito por uma empresa com papel reforçado, de modo que uma camada era de fato tudo o que ela precisava. Mas se você é um paranoico de verdade, recomendamos usar pelo menos dois sacos – ou até três.

Resultado do experimento: Latas não são confiáveis. Duas embalagens funcionam, uma não.

Tenha em mente que, se você quiser fazer uma ligação, por mais rápida que seja, precisará remover o telefone da armadura de sacos de salgadinhos, o que dará tempo para transmitir suas coordenadas GPS à rede e, no mínimo, transmitir sua localização aproximada triangulada por torres de celular. Como Carl (o dono da loja de cortinas) sugere no filme, se você vai manter seu telefone em um saco de batatas fritas, então mantenha-o em um saco de batatas fritas.

Exterminador do Futuro 6/3: Além das batatas fritas

Além dos salgadinhos, o novo Exterminador do Futuro não tem nada a dizer sobre segurança cibernética. Claro, os ciborgues invadem um banco de dados da polícia, um sistema de computadores de guarda de fronteiras e a rede de uma empresa de telefonia celular. Mas, do ponto de vista prático, essas invasões não são interessantes.  Elas não ocorrem como resultado de falhas de arquitetura de sistema específicas, mas simplesmente porque os ciborgues usam métodos futuristas indeterminados para derrotar a tecnologia: em uma palavra, “technomagic”.

Leia a nossa ciberanálise dos dois filmes anteriores da série (na nova versão da linha do tempo) em nosso post “Cibersegurança do Exterminador do Futuro

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