A guerra dos sistemas móveis

6 mar 2015

O mais recente escândalo sobre privacidade, envolvendo a empresa Lenovo, que achou que era uma ótima ideia pré-instalar algum adware ofensivo com brechas de segurança, foi de certa forma como uma explosão do passado. Mais uma vez, a abertura dos sistemas operacionais tradicionais para terceiros deixa o consumidor desprotegido. Apesar do mundo da informática de consumo se deslocar até as plataformas móveis mais seguras, o tradicional debate “aberto vs. seguro” ainda carrega muita relevância.

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Sem se deixar abater pelo tamanho irrisório e o inexistente progresso  da base instalada no Windows Phone, analistas em todo o mundo recentemente reavivaram o debate sobre uma terceira alternativa móvel em um fórum mais aberto. De fato, nos dias de hoje nenhuma conversa sobre a “terceira opção” menciona a necessidade, para alguns vagamente definida, sobre uma “abertura real”.

Algumas destes analistas se passam por homens de negócios reais, e um deles é o CEO da Cyanogen, Kirt McMaster. De acordo com o portal de notícias tecnológicas Re/code, ele está fazendo rondas de investimento no Vale do Silício e ao norte, preprarando um arsenal para liberar o Android das garras do Google. Um dos investidores é a Microsoft, cujos esforços relacionados à sua própria terceira alternativa são, tradicionalmente, de código fechado.

As recentes iniciativas da Google para proteger as suas caras estratégias móveis dos truques sem vergonha de partes que não contribuem têm desanimado e decepcionado muitas empresas que querem pegar uma fatia do crescente mercado móvel, até o ponto deles apresentarem queixas formais com as autoridades do antimonopólio.

Os esforços são frequentemente acompanhados por narrativas de relações públicas apropriada, chamando às armas cada um dos geeks honestos para proteger o sagrado Android do seu padrasto malvado, uma gigante corporação sem alma de Mountain View (Vale do Silício).

No entanto, mais uma vez precisamos do cantor Meja para nos lembrar que tudo é sobre dinheiro.

Para organizar meus pensamentos, eu preciso mergulhar na minha experiência pessoal ao ponto da era da computação pessoal: há 10 anos, enquanto eu estava na universidade, eu tinha o costume de complementar a minha escassa renda consertando o computador de outras pessoas. Consertando com placas-mãe chinesas de baixa qualidade e cópias piratas do Windows, eu de vez em ganhava algum dinheiro.

Esse dinheiro não foi fácil, já que algumas vezes eu levava um dia inteiro só para solucionar alguns casos, às vezes começava de manhã e terminava na madrugada do dia seguinte – 95% desses computadores tinham uma coisa em comum: seus usuários ingênuos ignoraram muitos avisos e tinham aceitado notificações ao instalar o software ou simplesmente quando navegavam na Internet. Estas foram as formas como os seus sistemas acabaram invadidos e repletos de lixos de software e 11 barras de ferramentas em cima disso.

Alguns desses laptops e PCs pré-fabricados eram assim desde o início, já que os fabricantes os pré-instalavam cuidadosamente com programas de teste inúteis apenas para ganhar dinheiro extra. Você se lembra que um laptop Sony VAIO costumava custar $ 50 dólares a mais só para ter uma cópia limpa do Windows?

Estas lembranças voltaram logo que ouvi o episódio de um podcast de a16z, onde McMaster defendia que o mundo tinha a extrema necessidade de ter um terceiro grande sistema operacional móvel. Além disso, o seu ponto era que, ao contrário do iOS e [cada vez menos] o Android, este potencial terceiro sistema operacional deve ser completamente aberto para desenvolvedores de terceiros, e tem que permitir uma total liberdade de expressão. Afinal de contas, McMaster aponta que, no estado atual do mercado, a Apple e a Google controlam tudo e é exatamente por isso que a Amazon e o Facebook tentaram absorver o Android, porque desta maneira poderiam se expressar melhor”.

Bom, considerando a minha experiência em software de teste, o verdadeiro motivo para eles terem feito isso foi porque não levaram em consideração a “abertura” do Windows XP. Eles querem ter a oportunidade de empurrar seus produtos  – e os de outras empresas – na nossa cara coletivamente, para assim serem capazes de preencher os nossos telefones móveis com a mesma sujeira agressiva que ajudará outras pessoas a ganharem dinheiro na era da economia da atenção. Defendendo a percepção da abertura, McMaster está, essencialmente, abrindo o caminho para que aqueles que não foram inovadores ou se focaram demasiadamente em desenhar uma plataforma móvel atraente e decente e que estão direcionados para o terreno lucrativo da publicidade.

Em outras palavras, um ambiente mais controlado seria a melhor opção.

Tradução: Juliana Costa Santos Dias