Já escrevemos várias vezes sobre como códigos QR são usados em esquemas de phishing. Nosso gateway seguro de e-mail até inclui tecnologia para ler esses códigos (não apenas em e-mails, mas também em anexos) e verificar os links incorporados. Ainda assim, os criminosos não desistem de enviar códigos QR às suas vítimas. Recentemente, temos observado um aumento no uso de arte ASCII para essa finalidade. Trata-se de imagens criadas a partir de caracteres de texto. Isso é particularmente irônico, considerando que, no passado, os phishers tentavam escapar da verificação de links escondendo-os em imagens e, agora, estão tentando burlar a análise de imagens voltando ao uso de texto. Mas com algumas adaptações.
A arte esquecida do ASCII e como os criminosos a utilizam
Hoje pode parecer difícil acreditar, mas houve uma época em que os computadores não eram capazes de exibir imagens gráficas. Por isso, as primeiras imagens digitais eram construídas com caracteres de texto. Após a adoção do padrão ASCII (American Standard Code for Information Interchange) em 1963, seus caracteres passaram a ser amplamente utilizados para criar esse tipo de arte, garantindo que as imagens fossem exibidas da mesma forma em diferentes computadores. Com o passar do tempo, outros símbolos de texto, como os presentes no conjunto Unicode expandido, também passaram a ser utilizados na criação dessas imagens. Ainda assim, o termo “arte ASCII” continuou sendo usado para descrever esse estilo artístico de forma geral. Houve artistas que se dedicaram seriamente a essa técnica. Os primeiros sites da Internet utilizavam arte ASCII em seu design e até mesmo os primeiros conteúdos pornográficos digitais eram representados exclusivamente por caracteres de texto.
Com a evolução das tecnologias gráficas, a arte ASCII perdeu popularidade. Ela voltou a ganhar destaque nos anos 2000, durante o auge do spam por e-mail. Naquela época, os spammers utilizavam a técnica principalmente para disfarçar palavras associadas a spam que poderiam acionar filtros de e-mail. Além disso, mensagens compostas por texto consumiam menos recursos dos servidores do que imagens. Outro fator era que muitos usuários pagavam pelo volume de tráfego de Internet utilizado e, por isso, frequentemente desativavam o carregamento de imagens em seus clientes de e-mail. Naturalmente, naquela época, ampliamos nossas soluções de segurança para e-mail com tecnologias específicas para detectar e bloquear arte ASCII maliciosa.
Agora, a técnica de ASCII foi redescoberta, desta vez por criminosos que buscam contornar sistemas capazes de reconhecer códigos QR presentes em imagens.
Como é um ataque de phishing com arte ASCII?
Veja um exemplo recente. O pretexto em si é bem comum: alguém supostamente enviou à vítima um documento confidencial via DocuSign, mas, para abri-lo, o destinatário precisa escanear o código QR no e-mail para acessar um site e inserir suas credenciais corporativas.

Código QR criado com caracteres Unicode. Parte do código foi desfocada para impedir que o link malicioso fosse escaneado
À primeira vista, o código parece estranho. Isso acontece porque ele é desenhado utilizando caracteres pseudo-gráficos e até mesmo os espaços entre as linhas ficam visíveis. Na realidade, não há nenhuma imagem propriamente dita no código da mensagem de e-mail. Nos bastidores, o código QR se parece com algo assim:

Arte ASCII presente no código do e-mail
Como resultado, os mecanismos de verificação de links não conseguem identificar o endereço, e as ferramentas de análise de imagens não conseguem detectar a URL oculta no código QR. Com isso, os criminosos acreditam que o e-mail de phishing chegará à vítima sem problemas. Spoiler: não esquecemos como bloquear arte ASCII.
É normal receber um código QR por e-mail?
Em teoria, existem situações legítimas em que o uso de um código QR faz sentido. Ele é uma forma prática de compartilhar contatos, links para aplicativos móveis, localizações em mapas ou informações de configuração. Em outras palavras, funciona bem quando o objetivo é transferir informações diretamente para um dispositivo móvel.
No entanto, se alguém pedir que você utilize um código QR para inserir credenciais corporativas em um smartphone, isso deve ser considerado um forte sinal de alerta. E quando esse código QR é criado com arte ASCII, trata-se claramente de uma tentativa de phishing ou de direcionamento para uma URL maliciosa. Esse tipo de técnica tem apenas uma finalidade: tentar contornar mecanismos de segurança.
Como se proteger?
Para impedir que e-mails de phishing, contendo ou não arte ASCII, cheguem às caixas de entrada dos colaboradores, recomendamos a adoção de um gateway de e-mail seguro antiphishing. Como camada adicional de defesa, é importante instalar soluções de segurança em todos os dispositivos utilizados para acessar a Internet.
Também recomendamos a realização periódica de treinamentos de conscientização em segurança, para que os colaboradores conheçam as táticas de phishing mais recentes. Vale destacar, especificamente, que a presença de arte ASCII em e-mails modernos pode ser um indicativo importante de uma tentativa de ataque de phishing.
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