Golpes no Telegram com bots, brindes e criptomoedas

Tudo o que você precisa saber sobre os golpes e phishing mais recentes no Telegram e como se manter seguro.

Você se lembra do início da Internet e dos golpes 419 (também conhecidos como “príncipe nigeriano”) prometendo montanhas de ouro só para você? Felizmente, essa era ficou para trás, mas hoje uma nova ameaça está em alta: o phishing em apps de mensagens. Devido à sua vasta base de usuários, API aberta e suporte a pagamentos em criptomoedas, um mensageiro em especial, o Telegram, se tornou um dos favoritos dos cibercriminosos que aplicam phishing. Então, quais truques novos os golpistas do Telegram estão usando e como identificá-los a tempo?

Bots do Telegram a serviço de cibercriminosos

O Telegram é lar de uma enorme variedade de golpes envolvendo bots. Às vezes, invasores oferecem seus bots para que outros criminosos criem novos. Se isso parece confuso, não se preocupe: nossa postagem no blog Securelist explica em detalhes esse fenômeno, conhecido como phishing-as-a-service.

Os golpistas muitas vezes usam bots no lugar de sites. É muito mais fácil atrair vítimas assim, já que criar e manter um site de phishing completo e ainda convencer a pessoa a cair no golpe dá muito mais trabalho. Com bots, tudo é mais simples: o usuário não precisa sair do Telegram, que muitos acreditam (erroneamente) ser seguro por padrão.

Mas, na prática, como isso funciona? Um exemplo é um golpe envolvendo investimento em criptomoedas: “Estamos distribuindo um novo token para todos, basta acessar o bot e passar pela verificação KYC”. Claro que, para os golpistas, “verificação KYC” não significa enviar foto de passaporte ou fazer chamada de vídeo, e sim depositar um valor em criptomoedas. E, sim, esse valor vai direto para a conta dos criminosos, enquanto você não recebe nada.

O bot do Telegram oferece verificação KYC falsa

O bot do Telegram oferece verificação KYC falsa

Claro, os bots do Telegram não se limitam a extrair criptomoedas. Por exemplo, identificamos um golpe que convida vítimas a serem pagas para assistir a vídeos curtos. Onde? Em um bot do Telegram, claro.

As vítimas "ganham" dois euros por visualização de vídeo

As vítimas “ganham” dois euros por visualização de vídeo

Os bots do Telegram são altamente intrusivos: se você não os bloquear, eles continuarão batendo à sua porta. A maioria dos sites de phishing não age assim; a interação costuma ser diferente: você visita o site, navega e vai embora. Mas basta conversar uma vez com um bot do Telegram para ser bombardeado com links suspeitos ou importunado com pedidos de acesso para gerenciar seus canais e grupos. Se você se cansar de um bot intrusivo, basta bloqueá-lo: abra a conversa com o bot, toque no nome e selecione Bloquear. Feito isso, o bot incômodo não enviará mais mensagens.

Em outro golpe relacionado a bots, invasores convencem as vítimas a iniciar conversas com bots e depois a compartilhar dados ou enviar dinheiro. Quando a vítima está fisgada, os golpistas renomeiam o bot para Telegram Wallet ou Support Bot, imitando canais supostamente oficiais, transferem a propriedade do bot para a conta da vítima sem que ela perceba e denunciam o bot ao suporte do Telegram. Acreditando que a vítima criou o bot, o suporte do Telegram exclui não apenas o bot, mas também a conta da vítima. Os golpistas fazem isso para encobrir rastros e dificultar uma possível investigação policial.

Presentes falsos e roubo de conta

Invasores usam diversos truques para obter acesso às contas das vítimas. Um dos golpes mais comuns é uma assinatura de “presente” do Telegram Premium. Confira nossa postagem Temos uma assinatura do Telegram Premium de “presente” para você para ver os detalhes. Em resumo: golpistas enviam mensagens a partir da conta hackeada de um amigo e pedem que a vítima acesse um site de phishing para “concluir a assinatura”. Não existe assinatura, claro. Em vez disso, as vítimas têm suas contas roubadas.

Outro vetor de fraude envolve o Telegraph, a ferramenta do Telegram para publicação de textos longos. Qualquer um pode publicar conteúdo sem cadastro, o que facilita para golpistas redirecionarem usuários a páginas de phishing. O resultado, via de regra, é mais uma conta invadida.

O usuário é induzido a clicar no link para ver a versão completa do documento

O usuário é induzido a clicar no link para ver a versão completa do documento

O que mais os golpistas e phishers inventaram? Invasores estão usando ativamente IA para criar deepfakes, roubar dados biométricos, ocultar ataques de phishing sob Blob URLs temporárias e até falsificar subdomínios do Google Translate. Leia sobre estas e outras tendências em nosso relatório no Securelist.

Como se proteger contra golpes e phishing no Telegram

A melhor dica é usar o pensamento crítico o tempo todo. Mesmo os mais atentos às vezes agem por impulso, então procure se informar sobre os golpes para que sua memória muscular acione automaticamente a resposta correta.

  • Não clique em links enviados por pessoas que você mal conhece. Não clique nesses links mesmo que prometam um brinde tentador e nunca informe dados pessoais nos sites indicados.
  • Configure a privacidade e a segurança na sua conta do Telegram. Veja nosso guia detalhado sobre autenticação de dois fatores e bate-papos secretos.
  • Não compartilhe códigos de uso único nem senhas com ninguém. E não os insira em nenhum lugar além do aplicativo oficial do Telegram. Os golpistas sabem como enganar usuários para que revelem seus OTPs.
  • Use uma proteção confiável que reconhece phishing quando vê e avisa você.
  • Bloqueie bots intrusivos. Como dissemos, eles continuarão insistindo. Então, se após conversar com um bot do Telegram você achar que já basta, bloqueie-o.
  • Ative o encerramento automático de todas as sessões inativas do Telegram a cada semana.No Telegram, vá para Configurações e selecione Dispositivos → Encerrar sessões automaticamente → Se inativo por → 1 semana.

Se sua conta do Telegram já foi invadida, leia nossa postagem O que fazer se sua conta do Telegram for hackeada? Cada minuto conta: é muito mais fácil restaurar o acesso nas primeiras 24 horas após um ataque. E inscreva-se em nosso canal no Telegram para ficar por dentro das novas tendências de cibersegurança.

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